sábado, 7 de novembro de 2009

Névoa

O que escondes por trás do teu olhar, que me deixa em tão grande inquietação ? O que escondes no brilho do teu olhar ?
Esse teu olhar sincero, transparente.
Que, por eu não o perceber claramente,
Dentro de meu mundo, me quis questionar.

Que esconde essa tua personagem ?
Revela-me esse teu grande segredo...
Sem qualquer receio e sem qualquer medo,
Serás tu um sonho ou uma miragem ?

Escrever sobre ti, não sei e não posso,
E parar, estranhamente não consigo,
Na minha alma ficou grande tormento.

Questionaste toda a minha existência,
Explicaste-me a palavra convivência.
Porque ficou preso o meu pensamento ?

1992 Vasco de Sousa

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sentimento nobre e grandioso

O mistério de um pôr-do-sol faz-nos sonhar com os sentimentos mais belos que guardamos dentro de cada um de nós Um sentimento nobre e tão importante,
Que por vezes se torna mesmo obsessivo.
Pode ser romântico, também prepotente,
Por vezes grandioso, ou corrosivo.

Falo daquilo que nos preenche a alma,
Que inunda todo e qualquer pensamento,
Um estado de graça, aparente calma,
Que se pode transformar logo em tormento.

Tão certo me encontro daquilo que sinto,
Como certo estou, de tudo o que sou,
Que a tal sentimento eu dou mais valor.

Doce sensação que no coração pressinto,
Que me realizou e mesmo elevou !
É com grande paixão que falo do amor.

2009 Vasco de Sousa

Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original foi retirado aqui.

sábado, 17 de outubro de 2009

A contagem decrescente

A contagem decrescente para a destruição da humanidade já terá começado ? Quando iremos acordar ? A contagem decrescente já começou,
Nada fazemos para a poder parar.
O mundo tal como é, já se acabou !
O caos e a destruição irão chegar.

A uma velocidade assustadora,
Extinguem-se espécies de animais.
O nível da água, sobe mais agora,
Os estragos provocados são abismais !

O Homem é de tal forma egoísta,
Que se auto destrói sem qualquer piedade,
Que assina a sua exterminação !

Muitos desdenham da visão fatalista,
Porque não vêem à sua frente a verdade ?
Quanto tempo falta para a destruição ?

2009 Vasco de Sousa

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Contemplo as ondas do mar

Contemplo as ondas do mar, nesse belo entardecer Fecho os olhos… Uma estranha tontura,
A pouco e pouco abraça a minha mente.
Questiono-me se isto será loucura,
Porque são, não me considero certamente.

Cansado, sento-me no vasto areal,
Os olhos perdidos em tão grande oceano.
Este mundo já não me parece real,
Não distingo entre sagrado e profano.

Vultos que passam e vagueiam sem destino,
Pelos céus lá passam algumas gaivotas,
E eu, perdido, vou olhando o infinito.

Quem sabe se já terei perdido o tino,
Os meus pensamentos continuam às voltas,
Aos poucos, encolho-me, com medo, aflito…

2009 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original foi encontrado aqui.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Para ti, meu amor.

Uma rosa para ti, meu amor. Ilumina o meu caminho e serei o mais feliz. Amo-te com toda a certeza da minh`alma,
Sofro quando me sinto incompreendido,
Quando explodes, discutes, perdes a calma,
Eu fico em silêncio, meio perdido.

Há dias em que somos muito diferentes,
Há outros em que almas gémeas nos sentimos,
Não compreendo teus modos indiferentes,
Não sei como te posso cobrir com mimos.

Por vezes sinto que me olhas com desdém,
No dia-a-dia esqueces-te de um carinho,
Atravessas como se fosses um trovão !

Mas amo-te como nunca amei ninguém !
És a luz que ilumina o meu caminho,
A força que me faz bater o coração !

2009 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original foi encontrado aqui.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ténue luz de esperança

Raios de Sol que entram pelas janelas,
Clarificam ideias e pensamentos,
Em tons brilhantes de luzes amarelas,
Que alegram agora meus sentimentos.

A esperança é uma ténue luz,
Que me motiva e também fortalece.
Perdi o coração, não sei onde o pus…
Procuro… Vamos ver se aparece.

O caminho que vejo, é sinuoso,
De mente aberta sigo, expectante,
Procuro a medo encontrar guarida.

Um relance dum trilho misterioso,
O desconhecido, sempre excitante,
Um novo sentido para a minha vida !

2009 Vasco de Sousa

Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original encontra-se aqui.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Encruzilhada

Uma névoa que se abate sobre mim,
Não me deixa vislumbrar este caminho.
Um nevoeiro que se estende sem fim,
Frio e húmido, por entre o azinho.

Desfaleço, sentado nesta encruzilhada,
Sem saber que rumo terá meu futuro,
A mente, tal como a visão, baralhada,
A vida sendo um tiro no escuro.

Espero agora por um dia melhor,
Vença o Sol a névoa dos pensamentos,
Clarificando o caminho à frente.

Procuro uma vida com mais sabor,
Perceber e dominar os sentimentos,
Encontrar uma resposta diferente !

2009 Vasco de Sousa

Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original foi encontrado aqui.

sábado, 1 de agosto de 2009

Uma tristeza infinita

A apatia abateu-se sobre a minha alma,
Já não sei o que fazer, nem o que pensar,
As pernas cedem, sem forças para andar,
Estou rodeado por uma estranha calma.

O corpo zonzo, o espírito perdido,
O peito sufoca, num aperto imenso,
Apavorado neste colapso intenso,
Num silêncio doloroso e sofrido.

Sem mais luta, um corpo a desfalecer,
Sem mágoa ou qualquer razão aparente,
As forças que se vão, apaga-se a mente.

Duplica-se a dor que me irá vencer,
O estranho fogo que sinto. O calor !
Um ataque de pânico. Frio suor.

2009 Vasco de Sousa

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Aquece o tempo, arrefece a vontade

São tempos de calor e de pasmaceira !
Tudo o que o homem estragou com maldade, O aquecimento global não pára e a humanidade, cega, pouco ou nada faz
Castiga-o agora com vil crueldade,
O que destruiu em completa cegueira.

Este Sol abrasador, já insuportável,
Tal como uma fornalha violenta,
Que me tortura, aos poucos desalenta,
Numa espera sofrida e detestável.

Derreto aos poucos em gestos pesarosos,
Agora aproximam-se tempos tenebrosos,
Fruto de erros passados, duradouros.

Mas mesmo sofrendo, também me ultrapassa,
Numa atitude mesquinha de devassa,
Todos os lamentos humanos vindouros.

2009 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original encontra-se aqui.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Andorinha

Passando do inverno a pérfida inclemência...
Andorinha ligeira, vai buscando
Outro clima mais puro, ameno e brando,
Outro céu de mais doce transparência.

Gozas da luz a tépida influência,
Reunindo-te ao alegre bando,
Que recorta este azul de quando em quando,
Desejando mais plácida existência

Podes fugir, voar com as asas leves
Expandir-te ao calor do sol
De bendito verão, delícias breves.

Como eu te invejo: Enquanto vais seguindo,
Sofro a tortura do mais rude inverno
E o azul me esconde o seu sorrir, fruindo

Francisca Clotilde, A Estrella, julho de 1920

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Já da noite o palor me cobre o rosto

Já da noite o palor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!

Do leito, embalde num macio encosto,
Tento o sono reter!... Já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece...
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.

Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive!

Álvares de Azevedo

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Ó páginas da vida que eu amava

Ó páginas da vida que eu amava,
Rompei-vos! nunca mais! tão desgraçado!...
Ardei, lembranças doces do passado!
Quero rir-me de tudo que eu amava!

E que doido que eu fui! como eu pensava
Em mão, amor de irmã! em sossegado
Adormecer na vida acalentado
Pelos lábios que eu tímido beijava!

Embora - é meu destino. Em treva densa
Dentro do peito a existência finda...
Pressinto a morte na fatal doença!...

A mim a solidão da noite infinda!
Possa dormir o trovador sem crença...
Perdoa, minha mão - eu te amo ainda!

Álvares de Azevedo

terça-feira, 9 de junho de 2009

Perdoa-me visão dos meus amores

Perdoa-me visão dos meus amores,
Se a ti ergui meus olhos suspirando!...
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo a estação das flores!

De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores...

Morro, morro por ti! na minha aurora
A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora...

Sem que última esperança me conforte,
Eu - que outrora vivia! - eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!

Álvares de Azevedo

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Os quinze anos de uma alma transparente

Os quinze anos de uma alma transparente,
O cabelo castanho, a face pura,
Uns olhos onde pinta-se a candura
De um coração que dorme, inda inocente...

Um seio que estremece de repente
Do mimoso vestido na brancura...
A linda mão na mágica cintura...
E uma voz que inebria docemente...

Um sorrir tão angélico, tão santo...
E nos olhos azuis cheios de vida
Lânguido véu de involuntário pranto...

É esse o talismã, é essa a Armida,
O condão de meus últimos encantos,
A visão de minh'alma distraída!

Álvares de Azevedo

domingo, 7 de junho de 2009

Ao sol do meio-dia eu vi dormindo

Ao sol do meio-dia eu vi dormindo
Na calçada da rua um marinheiro,
Roncava a todo o pano o tal brejeiro
Do vinho nos vapores se expandindo!

Além um espanhol eu vi sorrindo,
Saboreando um cigarro feiticeiro,
Enchia de fumaça o quarto inteiro...
Parecia de gosto se esvaindo!

Mais longe estava um pobretão careca
De uma esquina lodosa no retiro
Enlevado tocando uma rabeca!...

Venturosa indolência! não deliro
Se morro de preguiça... o mais é seca!
Desta vida o que mais vale um suspiro?

Álvares de Azevedo

sábado, 6 de junho de 2009

Um mancebo no jogo se descora

Um mancebo no jogo se descora,
Outro bêbedo passa noite e dia,
Um tolo pela valsa viveria,
Um passeia a cavalo, outro namora.

Um outro que uma sina má devora
Faz das vidas alheias zombaria,
Outro toma rapé, um outro espia...
Quantos moços perdidos vejo agora!

Oh! não proíbam, pois, no meu retiro
Do pensamento ao merencório luto
A fumaça gentil por que suspiro.

Numa fumaça o canto d'alma escuto...
Um aroma balsâmico respiro,
Oh! deixai-me fumar o meu charuto!

Álvares de Azevedo

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Pálida, à luz da lâmpada sombria

Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar! na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d'alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!

Álvares de Azevedo

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Passei ontem a noite junto dela

Passei ontem a noite junto dela.
Do camarote a divisão se erguia
Apenas entre nós - e eu vivia
No doce alento dessa virgem bela...

Tanto amor, tanto fogo se revela
Naqueles olhos negros! Só a via!
Música mais do céu, mais harmonia
Aspirando nessa alma de donzela!

Como era doce aquele seio arfando!
Nos lábios que sorriso feiticeiro!
Daquelas horas lembro-me chorando!

Mas o que é triste e dói ao mundo inteiro
É sentir todo o seio palpitando...
Cheio de amores! E dormir solteiro!

Álvares de Azevedo

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Uma vida que se esgota

Uma vida que se esgota, um organismo que desfalece. A dor e o sofrimento, que passam a controlar os meus pensamentos. Na insanidade de um mundo doente,
Uma tontura apropria-se de mim,
Vence as minhas forças ! Já perto do fim,
Um colapso que domina a minha mente.

Suores frios que me passam pelo rosto,
Um calor no estômago. Incontrolável !
A vida escoa-se, é inevitável,
Como que uma perda, como um desgosto.

Dores de um organismo que desfalece,
A vida escapa-se por entre os dedos,
Sufocado em silêncio tento gritar !

A dor é tamanha que já me adormece,
Sofro, incapaz de vencer os meus medos,
Só a morte me conseguirá libertar.

2009 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor. O original encontra-se aqui.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Porque choram esses lindos olhos castanhos ?

Porque choram os teus lindos olhos castanhos ?
O que te falta, que eu não te posso dar ?
Diz-me ! Já não consigo mais ver-te chorar.
Teus sentimentos são para mim estranhos. Teus lindos olhos castanhos que choram sem eu saber porquê.

Ao longo dos anos fomo-nos afastando,
Os problemas ocuparam nosso altar,
Apesar de tudo, não deixo de te amar,
Mesmo que em ruínas esteja meu mundo.

Dores de um organismo que desfalece,
O ruir de um sentimento já antigo,
Um caos total anárquico, um escombro.

Como deixámos que isto acontecesse ?
Tuas lágrimas quero partilhar contigo,
Podes chorar em silêncio no meu ombro.

2009 Vasco de Sousa

Os direitos da imagem pertencem ao seu autor. O original encontra-se aqui.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Doce abismo

Coração, coração! a suavidade,
Toda a doçura do teu nome santo
É como um cálix de falerno e pranto,
De sangue, de luar e de saudade.

Como um beijo de mágoa e de ansiedade,
Como um terno crepúsculo d'encanto,
Como uma sombra de celeste manto,
Um soluço subindo a Eternidade.

Como um sudário de Jesus magoado,
Lividamente morto, desolado,
Nas auréolas das flores da amargura.

Coração, coração! onda chorosa,
Sinfonia gemente, dolorosa,
Acerba e melancólica doçura.

Cruz e Souza

terça-feira, 14 de abril de 2009

Teu nome

É bálsamo de amor que os lábios suaviza
É cântico do céu... encanta, atrai, consola,
Essência lirial que para Deus se evola,
É hino de esperança e as dores ameniza.

Maria! Ao repetir teu nome se matiza
De bençãos meu viver que a dor cruel.
Doce réstia de luz, confortadora esmola
Da graça e do perdão que as almas sublimiza.

Permite, oh! Mãe bondosa, oh! Virgem sacrossanta
De teu nome ideal que a melodia santa,
Vibrando dentro em mim as horas de amargura,

Seja a nota eteral, a nota harmoniosa
Que minha alma murmure, a te fitar ansiosa,
Estrela que nos guia à pátria da ventura!

Francisca Clotilde in A Estrella (1915)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O ar quente do campo

O ar quente do campo, ao pôr do SolEste ar quente do campo, em minha volta,
Sossega a alma, alegra a passarada,
De lado ficam sentimentos de revolta,
A vida promete-se mais animada.

Como que embaladas, as folhas dançam,
Com passos deliciosos e suaves,
Em semelhante ritmo, os anos avançam,
Em boa velocidade, sem entraves.

Uma vereda ali no verde se recorta,
Num caminho comprido e sinuoso,
Como que desaparece no horizonte.

O meu destino já pouco me importa,
Mesmo que o percurso seja tortuoso,
Adormeço em paz aqui no sopé do monte.

2009 Vasco de Sousa

Imagem de Vasco de Sousa

terça-feira, 7 de abril de 2009

Triunfo supremo

Quem anda pelas lágrimas perdido,
Sonâmbulo dos trágicos flagelos,
É quem deixou para sempre esquecido
O mundo e os fúteis ouropéis mais belos!

É quem ficou no mundo redimido,
Expurgado dos vícios mais singelos
E disse a tudo o adeus indefinido
E desprendeu-se dos carnais anelos!

É quem entrou por todas as batalhas
As mãos e os pés e o flanco ensangüentado,
Amortalhado em todas as mortalhas.

Quem florestas e mares foi rasgando
E entre raios, pedradas e metralhas,
Ficou gemendo mas ficou sonhando!

Cruz e Souza

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Assim seja!

Fecha os olhos e morre calmamente!
Morre sereno do Sever cumprido!
Nem o mais leve, nem um só gemido
Traia, sequer, o teu Sentir latente.

Morre com alma leal, clarividente,
Da crença errando no Vergel florido
E o Pensamento pelos céus, brandido
Como um gládio soberbo e refulgente.

Vai abrindo sacrário por sacrário
Do teu sonho no Templo imaginário,
Na hora glacial da negra Morte imensa...

Morre com o teu Dever! Na alta confiança
De quem triunfou e sabe que descansa
Desdenhando de toda a Recompensa!

Cruz e Souza

domingo, 5 de abril de 2009

Renascimento

A Alma não fica inteiramente morta!
Vagas Ressurreições do Sentimento
Abrem já, devagar, porta por porta,
Os palácios reais do Encantamento!

Morrer! Findar! Desfalecer! que importa
Para o secreto e fundo movimento
Que a alma transporta, sublimiza e exorta,
Ao grande Bem do grande Pensamento!

Chamas novas e belas vão raiando,
Vão se acendendo os límpidos altares
E as almas vão sorrindo e vão orando...

E pela curva dos longínquos ares
Ei-las que vêm, como o imprevisto bando
Dos albatrozes dos estranhos mares...

Cruz e Souza

sábado, 4 de abril de 2009

Pacto das Almas (III) Alma da Almas

Alma da almas, minha irmã gloriosa,
Divina irradiação do Sentimento,
Quando estarás no azul Deslumbramento,
Perto de mim, na grande Paz radiosa?!

Tu que és a lua da Mansão de rosa
Da Graça e do supremo Encantamento,
O círio astral do augusto Pensamento
Velando eternamente a Fé chorosa,

Alma das almas, meu consolo amigo,
Seio celeste, sacrossanto abrigo,
Serena e constelada imensidade,

Entre os teus beijos de eteral carícia,
Sorrindo e soluçando de delícia,
Quando te abraçarei na Eternidade?!

Cruz e Souza

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Pacto das Almas (II) Longe de tudo

É livre, livre desta vã matéria,
Longe, nos claros astros peregrinos
Que havereemos de encontrar os dons divinos
E a grande paz, a grande paz sidérea.

Cá nesta humana e trágica miséria,
Nestes surdos abismos assassinos
Termos de colher de atros destinos
A flor apodrecida e deletéria.

O baixo mundo que troveja e brama
Só nos mostra a caveira e só a lama,
Ah! só a lama e movimentos lassos...

Mas as almas irmãs, almas perfeitas,
Hão de trocar, nas Regiões eleitas,
Largos, profundos, imortais abraços!

Cruz e Souza

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Pacto das Almas (I) Para Sempre!

Ah! para sempre! para sempre! Agora
Não nos separaremos nem um dia...
Nunca mais, nunca mais, nesta harmoia
Das nossas almas de divina aurora.

A voz do céu pode vibrar sonora
Ou do Inferno a sinistra sinfonia,
Que num fundo de astral melancolia
Minh'alma com a tu'alma goza e chora.

Para sempre está feito o augusto pacto!
Cegos serenos do celeste tacto,
Do Sonho envoltas na estrelada rede.

E perdidas, perdidas no Infinito
As nossas almas, no Clarão bendito,
Hão de enfim saciar toda esta sede...

Cruz e Souza

terça-feira, 31 de março de 2009

My secret place

O meu lugar secreto não o poderás imaginar, mas será belo e perfeito, será aquele onde me sentirei a flutuar.Quando o meu cérebro parece explodir,
Desejo o silêncio, também a solidão.
Só me apetece largar tudo e partir,
Quando já não posso esconder a exaustão.

Quando o tempo parece não importar,
Porque ao cérebro, o corpo não responde,
Quando apenas quero me refugiar,
Ficar escondido, não importa onde.

Transporto-me para este meu lugar secreto,
Só meu, e impossível de localizar,
Um local que apenas eu posso imaginar.

Em sonhos, dali não saio, nem por decreto,
Livre para na mente esquematizar,
O meu mundo perfeito, ainda por criar.

2009 Vasco de Sousa

Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
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domingo, 29 de março de 2009

Quando eu, senhora, em vós os olhos ponho

Quando eu, senhora, em vós os olhos ponho,
e vejo o que não vi nunca, nem cri
que houvesse cá, recolhe-se a alma a si
e vou tresvaliando, como em sonho.

Isto passado, quando me desponho,
e me quero afirmar se foi assi,
pasmado e duvidoso do que vi,
m'espanto às vezes, outras m'avergonho.

Que, tornando ante vós, senhora, tal,
Quando m'era mister tant' outr' ajuda,
de que me valerei, se alma não val?

Esperando por ela que me acuda,
e não me acode, e está cuidando em al,
afronta o coração, a língua é muda.

Sá de Miranda

sábado, 28 de março de 2009

Aquela fé tão clara e verdadeira

Aquela fé tão clara e verdadeira,
A vontade tão limpa e tão sem mágoa,
Tantas vezes provada em viva frágua
De fogo, i apurada, e sempre inteira;

Aquela confiança, de maneira
Que encheu de fogo o peito, os olhos de água,
Por que eu ledo passei por tanta mágoa,
Culpa primeira minha e derradeira,

De que me aproveitou? Não de al por certo
Que dum só nome tão leve e tão vão,
Custoso ao rosto, tão custoso à vida.

Dei de mim que falar ao longe e ao perto;
E já assi se consola a alma perdida,
Se não achar piedade, ache perdão.

Sá de Miranda

sexta-feira, 27 de março de 2009

O sol é grande, caem com a calma as aves

O sol é grande, caem co'a calma as aves,
do tempo em tal sazão, que sói ser fria;
esta água que d'alto cai acordar-m'-ia
do sono não, mas de cuidados graves.

ó cousas, todas vãs todas mudaves,
qual é tal coração qu'em vós confia?
Passam os tempos vai dia trás dia,
incertos muito mais que ao vento as naves.

Eu vira já aqui sombras, vira flores,
vi tantas águas, vi tanta verdura,
as aves todas cantavam d'amores.

Tudo é seco e mudo; e, de mestura,
também mudando-m'eu fiz doutras cores:
e tudo o mais renova, isto é sem cura!

Sá de Miranda

quarta-feira, 25 de março de 2009

Noiva e triste

Rola da luz do céu, solta e desfralda
Sobre ti mesma o pavilhão das crenças,
Constele o teu olhar essas imensas
Vagas do amor que no teu peito escalda.

A primorosa e límpida grinalda
Há de enflorar-te as amplidões extensas
Do teu pesar -- há de rasgar-te as densas
Sombras -- o véu sobre a luzente espalda...

Inda não ri esse teu lábio rubro
Hoje -- inda n'alma, nesse azul delubro
Não fulge o brilho que as paixões enastra;

Mas, amanhã, no sorridor noivado,
A vida triste por que tens passado,
De madressilvas e jasmins se alastra.

Cruz e Souza

terça-feira, 24 de março de 2009

Natureza

Aos Poetas

Tudo por ti resplende e se constela,
Tudo por ti, suavíssimo, flameja;
És o pulmão da racional peleja,
Sempre viril, consoladora e bela.

Teu coração de pérolas se estrela,
E o bom falerno dás a quem deseja
Vigor, saúde a crença que floreja,
Que as expansões do cérebro revela.

Toda essa luz que bebe-se de um hausto
Nos livros sãos, todo esse enorme fausto
Vem das verduras brandas que reluzem!

Esse da idéia esplêndido eletrismo,
O forte, o grande, audaz psicologismo,
Os organismos naturais produzem...

Cruz e Souza

segunda-feira, 23 de março de 2009

Acrobata da dor

Gargalha, ri, num riso de tormenta,
Como um palhaço, que desengonçado,
Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
De uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
Agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta clown, varado
Pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
Nessas macabras piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
Afogado em teu sangue estuoso e quente
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.

Cruz e Souza

domingo, 22 de março de 2009

Desengano

A pensionista pálida que gosta
(Fundada pretensão!) que a digam bela,
E do colégio, à tarde, na janela,
Para dar-me um sorriso se recosta;

Que me escreve nas férias, de Bemposta,
Aonde vai visitar a parentela,
Pedindo-me que não me esqueça dela
E dando-me uns beijinhos..., pela posta;

Essa ninfa gentil dos olhos pretos,
Essa beleza de anjo... oh, sorte varia;
Vergonha eterna para os meus bisnetos!

Com um pançudo burguês, uma alimária
Que não a sabe amar, nem faz sonetos,
Vai casar-se amanhã na Candelária.

Artur Azevedo

sábado, 21 de março de 2009

Sorte

Depois que se casara aquela criatura,
Que a negra traição das pérfidas requinta,
Eu nunca mais a vi, pois, de ouropéis faminta,
De um bem fingido amor quebrara a ardente jura.

Alta noite, porém, vi-a pela ventura,
Numa avenida estreita e lobrega da quinta...
Painel é que se cuida e sem color se pinta,
De alvo femíneo vulto ou madrugada escura.

Maldito quem sentindo o pungitivo açoite
Do desprezo e na sombra a sombra de um afeto
A pular uma grade, um muro não se afoite.

- Prometes ser discreto? - Ó meu amor! prometo...
Se não fosses tão curta, ó bem ditosa noite!
Se fosses mais comprido, ó pálido soneto!

Artur Azevedo

sexta-feira, 20 de março de 2009

Por decoro

Quando me esperas, palpitando amores,
E os grossos lábios úmidos me estendes,
E do teu corpo cálido desprendes
Desconhecido olor de estranhas flores;

Quando, toda suspiros e fervores,
Nesta prisão de músculos te prendes,
E aos meus beijos de sátiro te rendes,
Furtando as rosas as púrpureas cores;

Os olhos teus, inexpressivamente,
Entrefechados, lânguidos, tranquilos,
Olham, meu doce amor, de tal maneira,

Que, se olhassem assim, publicamente,
Deveria, perdoa-me, cobri-los
Uma discreta folha de parreira.

Artur Azevedo

quinta-feira, 19 de março de 2009

Arrufos

Não há no mundo quem amantes visse
Que se quisessem como nos queremos;
Mas hoje uma questiúncula tivemos
Por um caprichosinho, uma tolice.

- Acabemos com isto! ela me disse,
E eu respondi-lhe assim: - Pois acabemos!
- E fiz o que se faz em tais extremos:
Peguei no meu chapéu com fanfarrice,

E, dando um gesto de desdém profundo,
Saí cantarolando. Está bem visto
Que a forma ali contradizia o fundo.

Ela escreveu. Voltei. Nem Jesus Cristo,
Nem minha Mãe, voltando agora ao mundo,
Foram capazes de acabar com isto!

Artur Azevedo

quarta-feira, 18 de março de 2009

Eterna Dor

Já te esqueceram todos neste mundo...
Só eu, meu doce amor, só eu me lembro,
Daquela escura noite de setembro
Em que da cova te deixei no fundo.

Desde esse dia um látego iracundo
Açoitando-me está, membro por membro.
Por isso que de ti não me deslembro,
Nem com outra te meço ou te confundo.

Quando, entre os brancos mausoléus, perdido,
Vou chorar minha acerba desventura,
Eu tenho a sensação de haver morrido!

E até, meu doce amor, se me afigura,
Ao beijar o teu túmulo esquecido,
Que beijo a minha própria sepultura!

Artur Azevedo

terça-feira, 17 de março de 2009

Amor algébrico

ACABO DE ESTUDAR - da ciência fria e vã,
O gelo, o gelo atroz me gela ainda a mente,
Acabo de arrancar a fronte minha ardente
Das páginas cruéis de um livro de Bertrand.

Bem triste e bem cruel decerto foi o ente
Que este Saara atroz - sem aura, sem manhã,
A Álgebra criou - a mente, a alma mais sã
Nela vacila e cai, sem um sonho virente.

Acabo de estudar e pálido, cansado,
Dumas dez equações os véus hei arancado,
Estou cheio de spleen, cheio de tédio e giz.

É tempo, é tempo pois de, trêmulo e amoroso,
Ir dela descansar no seio venturoso
E achar do seu olhar o luminoso X.

Euclides da Cunha

segunda-feira, 16 de março de 2009

Música misteriosa...

Tenda de Estrelas níveas, refulgentes,
Que abris a doce luz de alampadários,
As harmonias dos Estradivarius
Erram da Lua nos clarões dormentes...

Pelos raios fluídicos, diluentes
Dos Astros, pelos trêmulos velários,
Cantam Sonhos de místicos templários,
De ermitões e de ascetas reverentes...

Cânticos vagos, infinitos, aéreos
Fluir parecem dos Azuis etéreos,
Dentre os nevoeiros do luar fluindo...

E vai, de Estrela a Estrela, a luz da Lua,
Na láctea claridade que flutua,
A surdina das lágrimas subindo...

Cruz e Souza

domingo, 15 de março de 2009

Sentimentos carnais

Sentimentos carnais, esses que agitam
Todo o teu ser e o tornam convulsivo...
Sentimentos indômitos que gritam
Na febre intensa de um desejo altivo.

Ânsias mortais, angústias que palpitam,
Vãs dilacerações de um sonho esquivo,
Perdido, errante, pelos céus, que fitam
Do alto, nas almas, o tormento vivo.

Vãs dilacerações de um Sonho estranho,
Errante, como ovelhas de um rebanho,
Na noite de hóstias de astros constelada...

Errante, errante, ao turbilhão dos ventos,
Sentimentos carnais, vãos sentimentos
De chama pelos tempos apagada...

Cruz e Souza

sábado, 14 de março de 2009

Velhas tristezas

Diluências de luz, velhas tristezas
Das almas que morreram para a lute!
Sois as sombras amadas de belezas
Hoje mais frias do que a pedra bruta.

Murmúrios incógnitos de gruta
Onde o Mar canta os salmos e as rudezas
De obscuras religiões -- voz impoluta
De sodas as titânicas grandezas.

Passai, lembrando as sensações antigas,
Paixões que foram já dóceis amigas,
Na luz de eternos sóis glorificadas.

Alegrias de há tempos! E hoje e agora,
Velhas tristezas que se vão embora
No poente da Saudade amortalhadas!...

Cruz e Souza

sexta-feira, 13 de março de 2009

Visão da Morte

Olhos voltados para mim e abertos
Os braços brancos, os nervosos braços,
Vens d'espaços estranhos, dos espaços
Infinitos, intérminos, desertos...

Do teu perfil os tímidos, incertos
Traços indefinidos, vagos traços
Deixam, da luz nos ouros e nos aços,
Outra luz de que os céus ficam cobertos.

Deixam nos céus uma outra luz mortuária,
Uma outra luz de lívidos martírios,
De agonies, de mágoa funerária...

E causas febre e horror, frio, delírios,
Ó Noiva do Sepulcro, solitária,
Branca e sinistra no clarão dos círios!

Cruz e Souza

quinta-feira, 12 de março de 2009

Canção da formosura

Vinho de sol ideal canta e cintila
Nos teus olhos, cintila e aos lábios desce,
Desce a boca cheirosa e a empurpurece,
Cintila e canta após dentre a pupila.

Sobe, cantando, a limpidez tranqüila
Da tu'alma estrelada e resplandece,
Canta de novo e na doirada messe
Do teu amor, se perpetua e trila...

Canta e te alaga e se derrama e alaga...
Num rio de ouro, iriante, se propaga
Na tua carne alabastrina e pura.

Cintila e canta na canção das cores,
Na harmonia dos astros sonhadores,
A Canção imortal da Formosura!

Cruz e Souza

quarta-feira, 11 de março de 2009

Flores da Lua

Brancuras imortais da Lua Nova
Frios de nostalgia e sonolência...
Sonhos brancos da Lua e viva essência
Dos fantasmas noctívagos da Cova.

Da noite a tarda e taciturna trova
Soluça, numa tremula dormência...
Na mais branda, mais leve florescência
Tudo em Visões e Imagens se renova.

Mistérios virginais dormem no Espaço,
Dormem o sono das profundas seivas,
Monótono, infinito, estranho e lasso...

E das Origens na luxúria forte
Abrem nos astros, nas sidéreas leivas
Flores amargas do palor da Morte.

Cruz e Souza

terça-feira, 10 de março de 2009

Amor

Nas largas mutações perpétuas do universo
O amor é sempre o vinho enérgico, irritante...
Um lago de luar nervoso e palpitante...
Um sol dentro de tudo altivamente imerso.

Não há para o amor ridículos preâmbulos,
Nem mesmo as convenções as mais superiores;
E vamos pela vida assim como os noctâmbulos
à fresca exalação salúbrica das flores...

E somos uns completos, célebres artistas
Na obra racional do amor -- na heroicidade,
Com essa intrepidez dos sábios transformistas.

Cumprimos uma lei que a seiva nos dirige
E amamos com vigor e com vitalidade,
A cor, os tons, a luz que a natureza exige!...

Cruz e Souza

segunda-feira, 9 de março de 2009

Supremo desejo

Eternas, imortais origens vivas
Da Luz, do Aroma, segredantes vozes
Do mar e luares de contemplativas,
Vagas visões volúpicas, velozes...

Aladas alegrias sugestivas
De asa radiante e branca de albornozes,
Tribos gloriosas, fulgidas, altivas,
De condores e de águias e albatrozes...

Espiritualizai nos Astros louros,
Do sol entre os clarões imorredouros
Toda esta dor que na minh'alma clama...

Quero vê-la subir, ficar cantando
Na chama das Estrelas, dardejando
Nas luminosas sensações da chama.

Cruz e Souza

domingo, 8 de março de 2009

Serpente de cabelos

A tua trança negra e desmanchada
Por sobre o corpo nu, torso inteiriço,
Claro, radiante de esplendor e viço,
Ah! lembra a noite de astros apagada.

Luxúria deslumbrante e aveludada
Através desse mármore maciço
Da carne, o meu olhar nela espreguiço
Felinamente, nessa trance ondeada.

E fico absorto, num torpor de coma,
Na sensação narcótica do aroma,
Dentre a vertigem túrbida dos zeros.

És a origem do Mal, és a nervosa
Serpente tentadora e tenebrosa,
Tenebrosa serpente de cabelos!...

Cruz e Souza

sábado, 7 de março de 2009

Monja

Ó Lua, Lua triste, amargurada,
Fantasma de brancuras vaporosas,
A tua nívea luz ciliciada
Faz murchecer e congelar as rosas.

Nas flóridas searas ondulosas,
Cuja folhagem brilha fosforeada,
Passam sombras angélicas, nivosas,
Lua, Monja da cela constelada.

Filtros dormentes dão aos lagos quietos,
Ao mar, ao campo, os sonhos mais secretos,
Que vão pelo ar, noctâmbulos, pairando...

Então, ó Monja branca dos espaços,
Parece que abres para mim os braços,
Fria, de joelhos, trêmula, rezando...

Cruz e Souza

sexta-feira, 6 de março de 2009

Ventos de vitória

A esperança comanda a vida. Acredita em ti, e vencerás.Esse caminho sinuoso da vitória,
Pode ser percorrido sem qualquer temor,
Porque se procuras a fama e a glória,
Basta que te sintas tal como um vencedor.

Desflorestarás tu o teu longo percurso,
Construíndo um futuro com solidez,
Não te abandones à sorte em um concurso,
Escolhe o teu caminho com sensatez.

Confia nessa tua força e vontade,
Encara a vida com toda a confiança,
Colherás os frutos de todo o teu valor !

Terás como prémio, um mundo melhor,
Se te pautares pelo amor, pela verdade,
Nunca poderás perder toda a esperança !

2009 Vasco de Sousa

quarta-feira, 4 de março de 2009

Divina

Eu não busco saber o inevitável
Das espirais da tua vi matéria.
Não quero cogitar da paz funérea
Que envolve todo o ser inconsolável.

Bem sei que no teu circulo maleável
De vida transitória e mágoa seria
Há manchas dessa orgânica miséria
Do mundo contingente , imponderável .

Mas o que eu amo no teu ser obscuro
E o evangélico mistério puro
Do sacrifício que te torna heroína.

São certos raios da tu'alma ansiosa
E certa luz misericordiosa,
E certa auréola que te fez divina!

Cruz e Souza

terça-feira, 3 de março de 2009

Visão

Noiva de Satanás, Arte maldita,
Mago Fruto letal e proibido,
Sonâmbula do Além, do Indefinido
Das profundas paixões, Dor infinita.

Astro sombrio, luz amarga e aflita,
Das Ilusões tantálico gemido,
Virgem da Noite, do luar dorido,
Com toda a tua Dor oh! sê bendita!

Seja bendito esse clarão eterno
De sol, de sangue, de veneno e inferno,
De guerra e amor e ocasos de saudade...

Sejam benditas, imortalizadas
As almas castamente amortalhadas
Na tua estranha e branca Majestade!

Cruz e Souza

segunda-feira, 2 de março de 2009

Dormindo...

Pálida, bela, escultural, clorótica
Sobre o divã suavíssimo deitada,
Ela lembrava -- a pálpebra cerrada --
Uma ilusão esplendida de ótica.

A peregrina carnação das formas,
-- o sensual e límpido contorno,
Tinham esse quê de avérnico e de morno,
Davam a Zola as mais corretas normas!...

Ela dormia como a Vênus casta
E a negra coma aveludada e basta
Lhe resvalava sobre o doce flanco...

Enquanto o luar -- pela janela aberta --
-- como uma vaga exclamação -- incerta
Entrava a flux -- cascateado -- branco!!...

Cruz e Souza

domingo, 1 de março de 2009

Frutas e Flores

Laranjas e morangos -- quanto às frutas,
Quanto às flores, porém, ah! quanto às flores,
Trago-te dálias rubras, d'essas cores
Das brilhantes auroras impolutas.

Venho de ouvir as misteriosas lutas
Do mar chorando lágrimas de amores;
Isto é, venho de estar entre os verdores
De um sítio cheio de asperezas brutas,

Mas onde as almas -- pássaros que voam --
Vivem sorrindo às músicas que ecoam
Dos campos livres na rural pobreza.

Trago-te frutas, flores, só apenas,
Porque não pude, irmã das açucenas,
Trazer-te o mar e toda a natureza!

Cruz e Souza

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Deusa Serena

Espiritualizante Formosura
Gerada nas Estrelas impassíveis,
Deusa de formas bíblicas, flexíveis,
Dos eflúvios da graça e da ternura.

Açucena dos vales da Escritura,
Da alvura das magnólias marcessíveis,
Branca Via-Láctea das indefiníveis
Brancuras, fonte da imortal brancura.

Não veio, é certo, dos pauis da terra
Tanta beleza que o teu corpo encerra,
Tanta luz de luar e paz saudosa...

Vem das constelações, do Azul do Oriente,
Para triunfar maravilhosamente
Da beleza mortal e dolorosa!

Cruz e Souza

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Em sonhos

Nos Santos óleos do luar, floria
Teu corpo ideal, com o resplendor da Helade...
E em toda a etérea, branda claridade
Como que erravam fluidos de harmonia...

As Águias imortais da Fantasia
Deram-te as asas e a serenidade
Para galgar, subir a Imensidade
Onde o clarão de tantos sóis radia.

Do espaço pelos límpidos velinos
Os Astros vieram claros, cristalinos,
Com chamas, vibrações, do alto, cantando...

Nos santos óleos do luar envolto
Teu corpo era o Astro nas esferas solto,
Mais Sóis e mais Estrelas fecundando!

Cruz e Souza

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O Canto Dos Presos

Troa, a alardear bárbaros sons abstrusos,
O epitalâmio da Suprema Falta,
Entoado asperamente, em voz muito alta,
Pela promiscuidade dos reclusos!

No wagnerismo desses sons confusos,
Em que o Mal se engrandece e o ódio se exalta,
Uiva, à luz de fantástica ribalta,
A ignomínia de todos os abusos!

É a prosódia do cárcere, é a partênea
Aterradoramente heterogênea
Dos grandes transviamentos subjectivos...

È a saudade dos erros satisfeitos,
Que, não cabendo mais dentro dos peitos,
Se escapa pela boca dos cativos!

Augusto dos Anjos

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Aberração

Na velhice automática e na infância,
(Hoje, ontem, amanhã e em qualquer era)
Minha hibridez é a súmula sincera
Das defectividades da Substância.

Criando na alma a estesia abstrusa da ânsia,
Como Belerofonte com a Quimera
Mato o ideal; cresto o sonho; achato a esfera
E acho odor de cadáver na fragrância!

Chamo-me Aberração. Minha alma é um misto
De anomalias lúgubres. Existo
Como o cancro, a exigir que os sãos enfermem...

Teço a infâmia; urdo o crime; engendro o iodo
E nas mudanças do Universo todo
Deixo inscrita a memória do meu gérmen!

Augusto dos Anjos

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Escaveirado corrupião idiota

Escaveirado corrupião idiota,
Olha a atmosfera livre, o amplo éter belo,
E a alga criptógama e a úsnea e o cogumelo,
Que do fundo do chão todo o ano brota!

Mas a ânsia de alto voar, de à antiga rota
Voar, não tens mais! E pois, preto e amarelo,
Pões-te a assobiar, bruto, sem cerebelo
A gargalhada da última derrota!

A gaiola aboliu tua vontade.
Tu nunca mais verás a liberdade! ...
Ah! Tu somente ainda és igual a mim.

Continua a comer teu milho alpiste.
Foi este mundo que me fez tão triste,
Foi a gaiola que te pôs assim!

Augusto dos Anjos

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Hino à Dor

Dor, saúde dos seres que se fanam,
Riqueza da alma, psíquico tesouro,
Alegria das glândulas do choro
De onde todas as lágrimas emanam..

És suprema! Os meus átomos se ufanam
De pertencer-te, oh! Dor, ancoradouro
Dos desgraçados, sol do cérebro, ouro
De que as próprias desgraças se engalanam!

Sou teu amante! Ardo em teu corpo abstrato.
Com os corpúsculos mágicos do tacto
Prendo a orquestra de chamas que executas...

E, assim, sem convulsão que me alvorece,
Minha maior ventura é estar de posse
De tuas claridades absolutas!

Augusto dos Anjos

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Contrastes

A antítese do novo e do obsoleto,
O Amor e a Paz, o ódio e a Carnificina,
O que o homem ama e o que o homem abomina,
Tudo convém para o homem ser completo!

O ângulo obtuso, pois, e o ângulo reto,
Uma feição humana e outra divina
São como a eximenina e a endimenina
Que servem ambas para o mesmo feto!

Eu sei tudo isto mais do que o Eclesiastes!
Por justaposição destes contrastes,
junta-se um hemisfério a outro hemisfério,

As alegrias juntam-se as tristezas,
E o carpinteiro que fabrica as mesas
Faz também os caixões do cemitério!...

Augusto dos Anjos

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Sonho Branco

De linho e rosas brancas vais vestido,
Sonho virgem que cantas no meu peito!...
És do Luar o claro deus eleito,
Das estrelas puríssimas nascido.

Por caminho aromal, enflorescido,
Alvo, sereno, límpido, direito,
Segues radiante, no esplendor perfeito,
No perfeito esplendor indefinido...

As aves sonorizam-te o caminho...
E as vestes frescas, do mais puro linho
E as rosas brancas dão-te um ar nevado...

No entanto, Ó Sonho branco de quermesse!
Nessa alegria em que tu vais, parece
Que vais infantilmente amortalhado!

Cruz e Souza

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Vozes da Morte

Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!

Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!

Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,

Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte inda teremos filhos!

Augusto dos Anjos

O Martírio do Artista

Arte ingrata! E conquanto, em desalento,
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,
Busca exteriorizar o pensamento
Que em suas fronetais células guarda!

Tarda-lhe a idéa! A inspiração lhe tarda!
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento,
Como o soldado que rasgou a farda
No desespero do último momento!

Tenta chorar e os olhos sente enxutos!...
É como o paralítico que, à mingua
Da própria voz e na que ardente o lavra

Febre de em vão falar, com os dedos brutos
Para falar, puxa e repuxa a língua,
E não lhe vem à boca uma palavra!

Augusto dos Anjos

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O Mar

O mar é triste como um cemitério,
Cada rocha é uma eterna sepultura
Banhada pela imácula brancura
De ondas chorando num albor etéreo.

Ah! dessas no bramir funéreo
Jamais vibrou a sinfonia pura
Do amor; só descanta, dentre a escura
Treva do oceano, a voz do meu saltério!

Quando a cândida espuma dessas vagas,
Banhando a fria solidão das fragas,
Onde a quebrar-se tão fugaz se esfuma.

Reflete a luz do sol que já não arde,
Treme na treva a púrpura da tarde,
Chora a saudade envolta nesta espuma!

Augusto dos Anjos

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Dança do Ventre

Torva, febril, torcicolosamente,
Numa espiral de elétricos volteios,
Na cabeça, nos olhos e nos seios
Fluíam-lhe os venenos da serpente.

Ah! que agonia tenebrosa e ardente!
Que convulsões, que lúbricos anseios,
Quanta volúpia e quantos bamboleios,
Que brusco e horrível sensualismo quente.

O ventre, em pinchos, empinava todo
Como reptil abjecto sobre o lodo,
Espolinhando e retorcido em fúria.

Era a dança macabra e multiforme
De um verme estranho, colossal, enorme,
Do demónio sangrento da luxúria!

Cruz e Souza

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

8ª Sombra - Último fantasma

Quem és tu, quem és tu, vulto gracioso,
Que te elevas da noite na orvalhada?
Tens a face nas sombras mergulhada...
Sobre as névoas te libras vaporoso ...

Baixas do céu num vôo harmonioso!...
Quem és tu, bela e branca desposada?
Da laranjeira em flor a flor nevada
Cerca-te a fronte, ó ser misterioso! ...

Onde nos vimos nós? És doutra esfera ?
És o ser que eu busquei do sul ao norte. . .
Por quem meu peito em sonhos desespera?

Quem és tu? Quem és tu? - És minha sorte!
És talvez o ideal que est'alma espera!
És a glória talvez! Talvez a morte!

Castro Alves

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Idealismo

Falas de amor, e eu ouço tudo e calo
O amor na Humanidade é uma mentira.
É. E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.

O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
É o amor do sibarita e da hetaíra,
De Messalina e de Sardanapalo?

Pois é mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado
- Alavanca desviada do seu fulcro -

E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!

Augusto dos Anjos

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Solitário

Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
- Velho caixão a carregar destroços -

Levando apenas na tumbas carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

Augusto dos Anjos

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A Idéia

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica ...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica

Augusto dos Anjos

A Árvore da Serra

- As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pos almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh'alma! ...

- Disse - e ajoelhou-se, numa rogativa:
"Não mate a árvore, pai, para que eu viva!"
E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!

Augusto dos Anjos

Idealização da Humanidade Futura

Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
- Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara étnicamente irracionais! -

Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...

E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!

Augusto dos Anjos

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Análise do soneto "Dizei, senhora, da beleza idéia"

1- Diz-me, senhora, que é a própria idéia de beleza (ela é o símbolo da beleza):
2 - Para fazer essa crina dourada (seus cabelos louros),
3 - Onde foste buscar esse ouro fino?
4 - De alguma mina escondida ou de uma veia? (Cabelos cheios, fartos, precisaria de uma mina ou de uma veia pulsando tanto ouro para fazer a sua cabeleira)
5 - Dos seus olhos a luz irradia (sai),
6- Esse respeito, digno de um império (dino - digno)
7 - Alcançou-o com saber divino ? (Como conseguiu esse respeito ? Você é uma deusa da sabedoria, um génio?)
8 - Ou foi com feitiçaria ? (Ecantos da medéia = feitiçaria da Medéia - Medéia era uma feiticeira)
9 - De que conchas escondidas você escolheu
10 - As pérolas orientais preciosas
11 - Que, quando fala, mostra no sorriso? (seus dentes brancos são as pérolas)
12 - Pois, você desenhou-se como quis (ninguem pode ser tão perfeito, ela só pode ter escolhido cada detalhe de si...)
13 - Tome cuidado consigo mesma, não se fique admirando;
14 - Fuja dos espelhos, lembre-se de Narciso. (Narciso era um homem muito vaidoso que se apaixonou por si proprio de tanto se admirar nas águas das fontes)

O poema é a história de uma mulher muito bonita, que é perfeita em tudo. Ela anda sempre com um ar altivo e gosta de se admirar. Encanta todos, por onde passa, com a sua beleza, e a sua postura.
O autor diz a ela que ela é linda, mas que ela não deveria admirar-se tanto, pois poderá acabar por se apaixonar por sí própria.

Adaptado de: Yahoo answers
Outras referências mencionadas:
JASÃO E MEDÉIA -
http://www.mundodosfilosofos.com.br/jasao.htm
NARCISO - http://www.pt.wikipedia.org/wiki/Narciso

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O Meu Nirvana

No alheamento da obscura forma humana,
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero
Encontrei, afinal, o meu Nirvana!

Nessa manumissão schopenhauereana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Idéa Soberana!

Destruída a sensação que oriunda fora
Do tacto - ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebéas -

Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Idéas!

Augusto dos Anjos

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Eterna Mágoa

O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

Sabe que sofre, mas o que não sabe
E que essa mágoa infinda assim não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!

Augusto dos Anjos

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Ao Luar

Quando, à noite, o Infinito se levanta
A luz do luar, pelos caminhos quedos
Minha tactil intensidade é tanta
Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos!

Quebro a custódia dos sentidos tredos
E a minha mão, dona, por fim, de quanta
Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos,
Todas as coisas íntimas suplanta!

Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado,
Nos paroxismos da hiperestesia,
O Infinitésimo e o Indeterminado...

Transponho ousadamente o átomo rude
E, transmudado em rutilância fria,
Encho o Espaço com a minha plenitude!

Augusto dos Anjos

De açucenas e rosas misturadas

De açucenas e rosas misturadas
não se adornam as vossas faces belas,
nem as formosas tranças são daquelas
que dos raios do sol foram forjadas.

As meninas dos olhos delicadas,
verde, preto ou azul não brilha nelas;
mas o autor soberano das estrelas
nenhumas fez a elas comparadas.

Ah, Jônia, as açucenas e as rosas,
a cor dos olhos e as tranças d'oiro
podem fazer mil Ninfas melindrosas;

Porém quanto é caduco esse tesoiro:
vós, sobre a sorte toda das formosas,
inda ostentais na sábia frente o loiro!

Alvarenga Peixoto

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Soneto do Amor

Este infinito amor de um ano faz
Que é maior do que o tempo e do que tudo
Este amor que é real e que contudo
Eu já não cria que existisse mais.

Este amor que surgiu insuspeitado
E que dentro do drama fez-se em paz
Este amor que é túmulo onde jaz
Meu corpo para sempre sepultado.

Este amor meu é como um rio; um rio
Noturno, interminável e tardio
A deslizar macio pelo ermo...

E que em seu curso sideral me leva
Iluminado de paixão na treva
Para o espaço sem fim de um mar sem termo.

Vinicius de Moraes
Nota: Um leitor, que se identificou como Usuale, enviou este soneto, que publico aqui e agradeço. Uma vez que o mesmo se encontra protegido por direitos de autor, retirá-lo-ei se essa for a vontade expressa de quem detenha esses direitos.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A noite

A nebulosidade ameaçadora
Tolda o éter, mancha a gleba, agride os rios
E urde amplas teias de carvões sombrios
No ar que álacre e radiante, há instantes, fora.

A água transubstancia-se. A onda estoura
Na negridão do oceano e entre os navios
Troa bárbara zoada de ais bravios,
Extraordinariamente atordoadora.

A custódia do anímico registro
A planetária escuridão se anexa...
Somente, iguais a espiões que acordam cedo,

Ficam brilhando com fulgor sinistro
Dentro da treva omnímoda e complexa
Os olhos fundos dos que estão com medo!

Augusto dos Anjos

sábado, 31 de janeiro de 2009

A um Mascarado

Rasga esta máscara ótima de seda
E atira-a à arca ancestral dos palimpsestos...
É noite, e, à noite, a escândalos e incestos
É natural que o instinto humano aceda!

Sem que te arranquem da garganta queda
A interjeição danada dos protestos,
Hás de engolir, igual a um porco, os restos
Duma comida horrivelmente azeda!

A sucessão de hebdômadas medonhas
Reduzirá os mundos que tu sonhas
Ao microcosmos do ovo primitivo...

E tu mesmo, após a árdua e atra refrega,
Terá somente uma vontade cega
E uma tendência obscura de ser vivo!

Augusto dos Anjos

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Augusto dos Anjos (1884 - 1914)

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no Engenho Pau d'Arco, no município de Cruz do Espírito Santo, estado da Paraíba, no dia 20de Abril de 1884 tendo falecido a 12 de Novembro de 1914 em Leopoldina, vítima de pneumonia, embora se tenha tornado conhecida a história de que Augusto dos Anjos morreu de tuberculose, talvez porque esta doença seja bastante mencionada em seus poemas.
Foi um poeta brasileiro, identificado muitas vezes como simbolista ou parnasiano. Muitos críticos, concordam em situá-lo como pré-moderno. É conhecido como um dos poetas mais críticos do seu tempo, e até hoje sua obra é admirada tanto por leigos como por críticos literários.
Foi educado nas primeiras letras pelo pai e estudou no Liceu Paraibano, onde viria a ser professor em 1908. Precoce poeta brasileiro, compôs os primeiros versos aos 7 anos de idade. Em 1903, ingressou no curso de Direito na Faculdade de Direito do Recife, bacharelando-se em 1907. Em 1910 casa-se com Ester Filiado.
Dedicou-se ao magistério, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde foi professor em vários estabelecimentos de ensino. Faleceu aos 30 anos, em Leopoldina, Minas Gerais, onde era director de um grupo escolar.
Durante sua vida, publicou vários poemas em periódicos, o primeiro, Saudade, em 1900. Em 1912, publicou seu livro único de poemas, Eu. Após sua morte, seu amigo Órris Soares organizaria uma edição chamada Eu e Outras Poesias, incluindo poemas até então não publicados pelo autor. Um personagem constante nos seus poemas é um pé de tamarindo que ainda hoje existe em Engenho Pau d'Arco.
O seu amigo Órris Soares conta que Augusto dos Anjos costumava compor "de cabeça", enquanto gesticulava e pronunciava os versos de forma excêntrica, e só depois transcrevia o poema para o papel. De acordo com Eudes Barros, quando morava no Rio de Janeiro com a irmã, Augusto dos Anjos costumava compor no quintal da casa, em voz alta, o que fazia sua irmã pensar que era doido.
Sonetos de Augusto dos Anjos
Outras referências na internet:
Vida e obra de Augusto dos Anjos

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

És pedra

És pedra, altiva e senhora de ti,
Um alto rochedo, de frios sentimentos,
Em pé suportas todos os maus momentos,
Ao teu lado parece que não existi.

És rocha, muito dura e impenetrável,
Imóvel, observas-me daí com exaustão,
Eterna vives nessa grande solidão,
Ergues-te esguia, de forma inigualável.

Desgastas-te enganando a solidez,
A alma escondes na tua beleza,
Observas paciente o vaivém do mar.

Venero daqui essa tua robustez,
Sofro ao esbarrar nessa fortaleza,
Afasto-me para não mais me magoar.

2009 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original pode ser encontrado aqui.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ariana

Ela é o tipo perfeito da ariana,
Branca, nevada, púbere, mimosa,
A carne exuberante e capitosa
Trescala a essência que de si dimana.

As níveas pomas do candor da rosa,
Rendilhando-lhe o colo de sultana,
Emergem da camisa cetinosa
Entre as rendas sutis de filigrana.

Dorme talvez. Em flácido abandono
Lembra formosa no seu casto sono
A languidez dormente da indiana,

Enquanto o amante pálido, a seu lado
Medita, a fronte triste, o olhar velado
No Mistério da Carne Soberana

Augusto dos Anjos

Amor e Crença

E sê bendita!
H. Sienkiewicz

Sabes que é Deus?! Esse infinito e santo
Ser que preside e rege os outros seres,
Que os encantos e a força dos poderes
Reúne tudo em si, num só encanto?

Esse mistério eterno e sacrossanto,
Essa sublime adoração do crente,
Esse manto de amor doce e clemente
Que lava as dores e que enxuga o pranto?!

Ah! Se queres saber a sua grandeza,
Estende o teu olhar à Natureza,
Fita a cúp'la do Céu santa e infinita!

Deus é o templo do Bem. Na altura Imensa,
O amor é a hóstia que bendiz a Crença,
ama, pois, crê em Deus, e... sê bendita!

Augusto dos Anjos

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Vozes da morte

Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!

Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!

Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,

Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte inda teremos filhos!

Augusto dos Anjos

Machado de Assis (1839 - 1908)

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro a 21 de junho de 1839 tendo falecido na mesma cidade a 29 de setembro de 1908. O seu pai, um mulato de nome Francisco José de Assis era pintor de paredes e descendente de escravos, e a sua mãe, uma lavadeira açoriana (da Ilha de São Miguel) de nome Maria Leopoldina Machado.
Machado de Assis, canhoto, era um jovem de saúde frágil, epiléptico e gago. Ficou órfão de mãe muito cedo e também perdeu a irmã mais nova. Não frequentou a escola regular, mas, em 1851, com a morte do pai, a sua madrasta Maria Inês, à época morando no bairro em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contacto com professores e alunos é provável que tenha assistido às aulas enquanto não estava trabalhando.
Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, empenhou-se em aprender tornando-se um dos maiores intelectuais do país, ainda muito jovem. Em São Cristóvão, conheceu a senhora Madamme Gallot, francesa e proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de francês, que Machado acabou por falar fluentemente. Também aprendeu inglês, chegando a traduzir poemas deste idioma, e posteriormente estudou alemão, sempre como autodidacta.
Foi poeta, romancista, dramaturgo, contista, jornalista e teatrólogo brasileiro, considerado como o maior nome da literatura brasileira, de forma maioritária entre os estudiosos da área. A sua extensa obra é composta por nove romances e nove peças teatrais, 200 contos, cinco colectâneas de poemas e sonetos, e mais de 600 crónicas. Machado de Assis assumiu cargos públicos ao longo de toda sua vida, passando pelo Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas, pelo Ministério do Comércio e pelo Ministério das Obras Públicas.
A obra ficcional de Machado de Assis tendia para o Romantismo na sua primeira fase, mas converteu-se em Realismo na segunda, na qual a sua vocação literária obteve a oportunidade de realizar a primeira narrativa fantástica e o primeiro romance realista brasileiro em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Ainda na segunda fase, Machado produziu obras que mais tarde o colocariam como especialista na literatura em primeira pessoa (como em Dom Casmurro, onde o narrador da obra também é o seu protagonista). Como jornalista, além de repórter, utilizava os periódicos para a publicação de crónicas, nas quais demonstrava a sua visão social, comentando e criticando os costumes da sociedade da época, como também antevendo as mutações tecnológicas que aconteceriam no século XX, tornando-se uma das personalidades que mais popularizou o género no país.
Sonetos de Machado de Assis

Texto adaptado de um artigo da wikipédia.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Gregório de Matos (1636 - 1696)

Gregório de Matos Guerra (1636-1696) nasce em Salvador, provavelmente em 1636. É filho de pai português (natural de Guimarães) e de mãe brasileira (Baiana).
Proveniente de uma família abastada, em 1642 estudou no Colégio dos Jesuítas, na Bahia. Em 1650 continua os seus estudos em Lisboa e, em 1652, na Universidade de Coimbra onde se forma em 1661. Em 1663 é nomeado juiz de fora de Alcácer do Sal.
Volta ao Brasil em 1682 e é nomeado tesoureiro-mor da Sé, na Bahia, depois de ordenado clérigo tonsurado – grau de iniciação nas ordens sacras que prevê a tonsura, corte de cabelo em formato de coroa típico dos prelados da época. Por se recusar a vestir batina, é destituído do posto em 1683. Passa a viver da advocacia e a escrever sua obra satírico-erótica, que retrata a sociedade baiana da época.
Os seus poemas, de forte inspiração clássica, denunciam a ganância e a busca do prazer pelos poderosos. Por isso, ganha o apelido de Boca do Inferno ou Boca de Brasa. Leva uma vida boémia até ser deportado para Angola, em 1694. Torna-se conselheiro do governador Henrique Jaques Magalhães na colónia portuguesa e, como compensação pelos serviços prestados, é autorizado a retornar ao Brasil, passando a viver no Recife, onde morre.
A sua poesia sobrevive graças a manuscritos apócrifos. É publicada pela primeira vez em 1831, numa coletânea organizada por Januário da Cunha Barbosa chamada Parnaso Brasileiro ou Colecção das Melhores Poesias dos Poetas do Brasil, Tanto Inéditas como Já Impressas.
Sonetos de Gregório de Matos

Publica os teus sonetos

Este blog está a partir de agora aberto a todos aqueles que desejem publicar os seus sonetos, de uma forma livre, para que este tipo de poesia seja divulgada de uma forma ampla.
Para quem o desejar fazer, basta enviar o soneto, que deverá ser original e feito pelo autor. Este será depois submetido a uma análise e se corresponder aos critérios do blog e aos temas abordados por aqui, então o mesmo será publicado.
Realço o facto de que o amor e a paixão são o tema central deste blog, embora não exclusivo.
Aguardo pela vossa partilha.
Peço o favor de enviar o texto, em formato Word, como anexo, para o endereço electrónico: osmeussonetos@gmail.com, devidamente identificados com a data de criação do mesmo e o nome do autor ou pseudónimo.

Boas poesias.
Vasco de Sousa.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Análise de sonetos famosos

Após verificar que muitos dos utilizadores deste blog procuram encontrar análises que ajudem à interpretação de alguns dos grandes sonetos que aqui se encontram publicados (obviamente que não me estou a referir aos meus...), iniciei este tópico onde irei procurar incluir todas as análises que se vão encontrando por aqui e por ali, para que, quem procura, possa encontrar aquilo que deseja de uma forma mais rápida e fácil.
Devo acrescentar que não sou o responsável pelas análises efectuadas, e que me limitarei a recolher essa informação, atribuíndo os créditos a quem de direito.
Estas análises têm um fim meramente educativo, para que os leitores melhor possam compreender a poesia, no entanto, se algum dos autores não desejar que essa análise se encontre aqui publicada, basta deixar um comentário neste tópico, que eu a retirarei.
A todos aqueles que quiserem dar o seu contributo, para aumentar esta base de informações, agradeço desde já antecipadamente.

Análise de sonetos
Análise de Sonetos de Luís Vaz de Camões:
Análise de Sonetos de Vinicius de Moraes

Boas poesias.
Vasco de Sousa

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

William Shakespeare (1564 - 1616)

William Shakespeare nasceu em Stratford-upon-Avon a 23 de Abril de 1564 (não havendo certezas em relação a esta data) tendo falecido a 23 de Abril de 1616).
Foi um dramaturgo e poeta inglês, amplamente considerado como o maior dramaturgo da Língua inglesa.
As suas obras, que permaneceram ao longo dos tempos consistem em 38 peças, 154 sonetos, dois poemas de narrativa longa, e várias outras poesias.
As suas obras são mais actualizadas do que as de qualquer outro dramaturgo.
Muitos dos seus textos e temas, especialmente os de teatro, permaneceram actualizados até aos nossos dias, sendo revisitados com frequência pelo teatro, televisão, cinema e literatura.
Entre as suas obras é impossível não ressaltar o famoso Romeu e Julieta, que se tornou a história de amor por excelência e Hamlet, que possui uma das frases mais conhecidas da língua inglesa:
To be or not to be: that's the question (Ser ou não ser, eis a questão).
É certo que muito pouco se sabe sobre a vida de William Shakespeare.
Shakespeare nasceu e foi criado em Stratford-upon-Avon.
Aos 18 anos, segundo alguns estudiosos, casou-se com Anne Hathaway, que lhe concedeu três filhos: Susanna, e os gêmeros Hamnet e Judith Quiney.
Entre os anos 1585 e 1592, William começou uma carreira bem-sucedida em Londres como actor, dramaturgo e proprietário da companhia de teatro Lord Chamberlain's Men, mais tarde conhecida como King's Men.
Há especulações sobre sua sexualidade, sobre suas convicções religiosas, e sobre a autoria de suas peças, pois há especulativas que na realidade ele pode nunca ter existido, isto é, talvez suas obras tenham sido compostas por outras pessoas. Esta última especulação é extensa e tem diversas suposições, desde a de que esses autores assinavam como William Shakespeare, escondendo sua identidade, até a de que William Shakespeare foi provavelmente um actor passando-se como o autor das obras, que na verdade eram compostas por outros dramaturgos.

Produziu suas obras mais famosas entre 1590 e 1613.
As suas primeiras peças foram principalmente comédias e histórias, géneros do qual ele refinou com sofisticação. Em seguida, escreveu principalmente tragédias até 1608, incluindo Hamlet, Rei lear e Macbeth, considerados alguns dos melhores exemplos do idioma inglês.
Em sua última fase, escreveu tragicomédias e colaborou com outros dramaturgos.
Shakespeare era um respeitado poeta e dramaturgo em sua época, mas sua reputação só chegou ao nível em que está hoje a partir do século 19.
O Romantismo, em particular, aclamou a genialidade de Shakespeare.
A maioria das informações que se fazem acerca de William Shakespeare são meras especulações derivadas de estudos, leituras, interpretações, pontos de vistas, hipóteses, lógicas.
A única coisa que se tem certeza absoluta é que as peças atribuídas a Shakespeare marcaram praticamente todos os séculos seguintes, começando pelo tempo em que viveu.
Publicado em 1609, a obra Sonetos foi o último trabalho publicado de Shakespeare sem fins dramáticos. Os estudiosos não estão certos de quando cada um dos 154 sonetos da obra foram compostos, mas evidências sugerem que Shakespeare as escreveu durante toda sua carreira para leitores particulares.
Para consultar os seus sonetos, em versão original - clique aqui

Ainda fica incerto se estes números todos representam pessoas reais, ou se abordam a vida particular de Shakespeare, embora Wordsworth acredite que os sonetos abriram suas emoções.
A edição de 1609 foi dedicada a "Mr. WH", creditado como o único procriados dos poemas. Não se sabe se isso foi escrito por Shakespeare ou pelo seu editor Thomas Thorpe, cuja sigla aparece no pé da página da dedicação; nem se sabe quem foi Mr. WH, apesar de inúmeras teorias terem surgido a respeito.

Os críticos elogiam os sonetos e comentam que são uma profunda meditação sobre a natureza do amor, a paixão sexual, a procriação, a morte e o tempo.


Sonetos (traduzidos) de William Shakespeare


Soneto 1 (tradução de Jorge Wanderley) (ver original)

Soneto 15 (tradução) (ver original)

Soneto 17 (tradução) (ver original)

Soneto 23 (tradução) (ver original)

Soneto 29 (tradução Vasco Graça Moura) (ver original)

Soneto 30 (tradução) (ver original)

Soneto 38 (tradução) (ver original)

Soneto 53 (tradução) (ver original)

Soneto 71 (tradução) (ver original)

Soneto 73 (tradução) (ver original)

Soneto 91 (tradução) (ver original)

Soneto 92 (tradução) (ver original)

Soneto 116 (tradução de Barbara Heliodora) (ver original)

Soneto 148 (tradução) (ver original)