Fico ali sentado, observando as chamas,
A alma com elas ardendo juntamente,
Sentindo um intenso vazio, reclamas,
A dor multiplica-se infinitamente.
Olhando o infinito, perdido em lágrimas,
Meus tristes pensamentos tão longe perdidos...
Nesta minha incessante busca de rimas,
Para te transmitir sentimentos feridos.
És, foste e serás o meu grande amor !
Mesmo que me deixes nesta imensa dor,
Que me consome completamente por dentro.
Como tu, é impossível de encontrar !
E de outra, é impossível eu gostar !
Saí para a rua... Sei que nunca mais entro...
2011 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Fogueira Interior (II)
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Revolta
Certos dias em que a revolta me possui,
Num mundo, que ao contrário está virado,
Um louco Homem, pouco são e tresloucado,
Para mim a energia negativa flui.
Gostaria de fugir lá bem para longe,
Para um lugar que fosse só e apenas meu,
Tal como se esconde no convento o monge,
Longe deste falso e cínico apogeu.
Apetece-me gritar ! De raiva espumar !
Feroz lutar, contra toda a injustiça,
Para dignificar esta sociedade !
Com a podridão dessa alta classe acabar,
Derrubar com ardor a verdade postiça,
Estamos perdidos, em grande insanidade…
2009 Vasco de Sousa
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Apenas porque te posso amar
E se apossa de mim tão grande desespero,
Sinto que ando, atabalhoadamente à toa,
Como se procurasse o meu fim infeliz.
Nessas alturas, conforta-me o teu olhar,
Essa tua simplicidade e alegria,
Um colo quente que me possa confortar.
Cantas as palavras em doce melodia…
Quero fugir para sempre do cruel mundo,
Esquecer o porquê da minha insanidade,
Chorar nos teus braços, a alma poder lavar.
Dás-me forças para enfrentar tudo,
Erguer-me e finalmente enfrentar a verdade,
Apenas e só por loucamente te amar.
2009 Vasco de Sousa
terça-feira, 28 de outubro de 2008
O grito da morte (II)
Louco, grito agora em fúria, aterrorizado !
Sabendo que partiu uma grande paixão.
Em mágoa e dor me vejo agora afogado,
Sinto uma faca cortante no coração.
Demente grito em grande e louca aflição !
Gélida face de horror, irreconhecível.
Aos poucos pára de bater o coração,
Numa interminável agonia terrível !
E vencido, caio finalmente por terra,
Perdido nesta solidão que me aterra,
Para que não mais me volte a levantar !
Eu sei que ouviste este meu grito da morte !
Ó mulher, a paixão de minha pouca sorte !
Que me deixaste aqui para sempre a gritar...
2008 Vasco de Sousa
(adaptação de uma versão original de 1991)
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original foi retirado aqui.
O meu Mundo de cristal
Naquele dia, quando de mim te afastaste,
O meu mundo partiu-se tal como um cristal.
Dia após dia, numa procura constante,
Procuro eu, mas em vão, razão que explique tal.
Nada disseste, nem uma carta deixaste,
Foi tudo uma surpresa completa para mim.
Fria e indiferente, tu então partiste,
Deixando-me aqui numa angústia sem fim.
Não irás fazer tu com que páre o meu mundo !
Pois sinto-me de consciência tranquila.
O meu destino traçado irei seguir.
Não entrarei por esse buraco profundo,
Não me afogarei em Whisky e Tequila.
Do meu destino, não me farás desistir.
2008 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original pode ser encontrado (e comprado...) aqui.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Quem sou eu ?
Olho pelo vidro, de chuva salpicado,
Observo pela janela, o meu reflexo,
Não reconheço esse rosto maltratado,
Traído pela memória, fico perplexo.
E pergunto-me: Será que sei quem sou ?
A insatisfação cresce dentro de mim,
Uma raiva que as recordações apagou;
Uma revolta que parece não ter fim.
Hoje sinto que apenas em mim chove,
E já nem sei tão pouco o que me move,
Um sentimento sem nome, nem solução.
Apetece-me abrir aquela janela,
Molhar-me, olhando a suja viela,
Saltar através da negra escuridão.
2008 Vasco de Sousa
terça-feira, 29 de abril de 2008
Carícias
Tic-tac do relógio compassadamente,
É o tempo de uma vida que se esgota,
O ruído do mundo, passa a gente,
E na boca, amargo sabor de derrota.
Levanto-me sob a luz do céu estrelado,
A Lua ainda embala sonhos tardios,
Regresso tarde, desiludido e cansado,
De ti relembro alguns gestos fugidios.
Choro em silêncio, perdido na multidão,
Múltiplas caras que aumentam a solidão,
Mal tenho tempo de para ti olhar.
Por todas as carícias que eu não te dei,
Um rumo certeiro que ainda não tracei,
Crescente é a certeza de te amar.
2008 Vasco de Sousa
domingo, 6 de abril de 2008
Como posso chegar a ti ?
E tudo acabou, sem sequer começar...
Eu sinto que estás tão distante de mim.
Ainda não sei bem como continuar,
Mas não deveríamos acabar assim.
Olho vidrado para o infinito,
Esperando que surjas no horizonte.
Sei perfeitamente que estou frito,
Nunca me deixarás passar a ponte.
Cada vez me sinto mais afastado,
Cada vez me sinto mais agoniado !
O que fazer, para chegar a ti ?
Porque me sinto tão impotente ?
Porque continuo em estado latente ?
Apenas te peço, para chegar aqui.
1991 Vasco de Sousa
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Espectros
Espectros que velaes, emquanto a custo
Adormeço um momento, e que inclinados
Sobre os meus somnos curtos e cançados
Me encheis as noites de agonia e susto!...
De que me vale a mim ser puro e justo,
E entre combates sempre renovados
Disputar dia a dia á mão dos Fados
Uma parcela do saber augusto,
Se a minh'alma ha-de ver, sobre si fitos,
Sempre esses olhos tragicos, malditos!
Se até dormindo, com angustia immensa,
Bem os sinto verter sobre o meu leito,
Uma a uma verter sobre o meu peito
As lagrimas geladas da descrença!
Antero de Quental




