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sábado, 17 de novembro de 2012

Vazia a sala de meu peito

Vazia a sala de meu peito, cujo encanto
Versejo em mágoas que não cabem num papel
O meu silêncio escreve as dores deste canto
O qual declamo a sós de tudo, em vão, ao léu...

Outrora as flores que cingiam doce manto
Por sobre a terra tão sofrida imersa em fel
Sem seus poetas tudo é triste e dói, dói tanto!
Entregue a vida em seu ocaso, altiva, ao céu

Qual letra, enfim, reter-me a lágrima incontida?
Há de ficar pra sempre em nós a dor sentida
Sem que se escreva um alento e piedade

Se tudo é sempre assim: do amor rumo à saudade
Por que razões seguir em frente a nossa vida?
Por que o adeus teima em nascer da eternidade?

2012 Carlos Gomes

domingo, 2 de setembro de 2012

Náufrago


És, onda deste mar, presságio da partida
Quando que há muito foste encanto da chegada
Ao rebentar por entre as pedras da enseada
Acusa, o teu cantar, os versos duma vida

A vida que tanto buscou segura estada
Singrando o mar, fugindo ao medo, já sentida
Que o horizonte não guardava uma saída
E que todo caminho encerra rumo ao nada

A mesma areia que chamei de esperança
A mesma terra que tempos depois me lança
Neste deserto onde as águas não tem fim

Percebo a lágrima invadindo o mesmo rosto
Olho pra terra... Ela indica o lado oposto
Vem onda, vem levar o que restou de mim...

 Julho 2012 Carlos Gomes

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Procura-se

Procura-se mulher da mais rara beleza
Que inspire ao homem todo alento e piedade
Por seus olhares ter a alma envolta e presa
Em seus lábios ter o sabor da eternidade...

Procura-se mulher da mais pura tristeza
Cuja ausência em nós, perpétua de saudade
Crive no peito o bem da última certeza:
Está em vós, mulher, toda necessidade...

Uma mulher do mais tenro, doce carinho
Que tenha o colo como eterno, afável ninho
Mulher na qual o grande amor, cego, persiste

Mas qual dos homens vai por fim lhe merecer?
Buscam você, mulher, mas sem reconhecer:
Homem merecedor do seu amor... Existe?

Abril 2012 Carlos Gomes
Soneto enviado pelo autor, para publicação

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Beira-mar

Aqui a beira-mar, meus sonhos, tão distantes
Ao horizonte se turvam com meu passado
Por entre as ondas tudo esvai e já cansado
Me perco em ilusões, tão só como era antes!

Meus sonhos são que nem as águas, abundantes
Neste oceano, meu olhar, um deslumbrado
Navega sem pudor, audaz e fascinado
O mais ingénuo de todos os navegantes...

Inebriante paz! Ilude a maresia...
Mas eis que vem o mar, em fúria, a fantasia
Cessar, fazendo meu sonho bom naufragado!

Por essas águas se perder é perigoso
Do mar de sonhos o real se faz vingado
Em lágrimas converte o mar maravilhoso...

Carlos Gomes
Dezembro de 2011

domingo, 6 de maio de 2012

Engano do amor

Há muito tempo que nos céus se fez a guerra
Quando o amor buscou a sua independência
Convicto, bradou firme, por eloquência:
"Saudade, solidão... Não quero mais na Terra!"

Determinado, o amor fere, não erra!
Fez dizimadas as dores, sem resistência
Angústias, ilusões, mágoas, com violência
Foram vencidas, pois poder nele se encerra!

Porém, tempos depois, notou-se enganado
O homem desde então, quando apaixonado
Tornou banal, fugaz, o nobre sentimento

Às lágrimas, se faz forte, grande e repleto
E concluiu que só diante o sofrimento
Só dolorido o amor se faz completo...

2011 Carlos Gomes
Soneto enviado pelo autor para publicação