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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Ventos de mudança II

Sempre que se agigantam as tempestades,
Entorpeço ao ribombar dos trovões,
Escondo-me em labaredas de saudades,
Desejo redimir-me em mil perdões.

Sem força para afastar tais ventanias,
Fico encolhido. Espero atento.
O tempo afastará as tropelias…
Aguardo pois. Aguço o alento.

Esse temporal terá que chegar ao fim,
Assim o espero, assim acalento.
Desejo sair desta negra solidão.

Rebuscarei as forças dentro de mim,
Esperarei  pela mudança do vento,
Encontrarei essa luz, na escuridão.

2013 Vasco de Sousa
Com um grande beijinho para a minha amiga Olinda.

domingo, 3 de junho de 2012

Ilha do Corvo

Sim, é na Terra, terra de Sol brilhante,
Aos pés de um mar belo e avassalador.
De tons de verde, vivo e deslumbrante,
De um povo isolado e sofredor.

A vida destas gentes simples e humildes,
Repleta de mestria e conhecimento,
Pequenas estórias dos caprichos rebeldes,
De uma força maior, de um sopro de vento.

De conversas simples, pequenos afagos,
Se agigantam sentimentos, emoções,
Poética história, nem minha nem tua.

Uma conversa íntima de amigos,
Imagens que preenchem nossos corações.
Sim! É mesmo na Terra, não é na Lua!

2012 Vasco de Sousa


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Não roubarei mais sonhos para ti

Habitas nesse teu mundo de fantasia,
Em redoma vítrea foste protegido.
Pensas tu que compras sonhos e alegria?
Tocarás o Sol e soltarás um rugido?

Serás mesmo assim desde que nasceste?
Acima da justiça e da verdade?
Não sei em que parte é que te perdeste,
Terá sido em muito tenra idade.

É o tempo de te salvares desse mundo,
Caminha de volta para a realidade,
Já não roubarei mais sonhos para te dar.

Afasta-te desse teu coma profundo,
Acorda para a vida. De verdade!
É a maior dádiva a almejar.

2012 Vasco de Sousa

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O peso do céu

O peso do céu. Sobre a minha cabeça.
Perdoa-me. É tudo o que eu quero.
Deixa entrar o cão que a chuva escorraça.
Deitado no chão frio, aqui espero.

Com saudade relembro a lareira quente,
Diz-me o vento que agora é tarde,
A autoestima abandonou a mente,
Exposto à mercê desta tempestade.

Agora à chuva tudo eu confesso.
Amaldiçoo aquilo eu que me tornei,
Tudo o que fiz e o que deixei de fazer.

Assim, contra mim escrevo. Estou possesso.
Despido de pudores, suplicar-te-ei:
Perdoa-me ! Eu farei por o merecer.

2012 Vasco de Sousa

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Estou à espera

Letárgico ao Sol, recebo o seu calor,
Como se dependesse da sua energia.
Do inverno, vou espantando o seu rigor,
Aqueço a alma. Dai-me mais alegria !

Esqueço por momentos toda a frustração,
Deste quotidiano dececionante.
O futuro hipotecou-se sem razão,
Intromete-se na paz da minha mente.

Este bem-estar é apenas presentâneo,
Depois do Sol, o frio que me depaupere,
Não pense ele que irei esmorecer.

Vou armazenando o calor instantâneo,
Na esperança que ele me revigore,
Pois tais desalentos, pretendo eu vencer.

2012 Vasco de Sousa

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Perdido de amores

Namoro as nuvens, perdido de amores,
Sorrio pateta para as ondas do mar,
O céu pinta-se de sete belas cores,
E os meus dias vão passando devagar.

Tal como a água corre por baixo da ponte,
Vagarosa, lambendo as pedras brilhantes,
O Sol a cada dia roça o horizonte,
O que vem depois segue-se ao que vem antes.

Melancólico, vou-me deixando ficar,
A paixão é água que enche o meu leito,
O Sol que a incendeia, que me convida.

Renovo forças, no brilho do teu olhar,
Com o pensamento em ti me deleito…
És sonho, garra, magia ! A minha vida !

2011 Vasco de Sousa

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Dor silenciosa


Silêncio. Ouço o seu frio,  a sua escuridão.
Imponente. Gigantesco. Avassalador.
Uma demanda enredada na compreensão.
Um varrimento sistémico, levado a rigor.

Entre as trevas de uma solidão partilhada,
Na confusão labiríntica da mente,
Procuro-te sem tréguas, ó dor agrilhoada,
Que perduras de forma insistente.

Ocultas-te habilmente para além da consciência,
Desafias diariamente a minha paciência,
O desespero exponencia o teu poder.

Procuras fortalecer-te com maldade,
Respiro fundo. Aguardo com serenidade.
Já vislumbrei o desfecho… Irei vencer !

2011 Vasco de Sousa

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nas minhas memórias


Nas minhas memórias, eu posso encontrar,
O vosso passado, fragmentos preciosos,
Que nelas, com amor, irei perpetuar.
Recordo com gosto, carinhos e afetos.

Em todos vós, está o meu pensamento,
Pois já moldaram aquilo que hoje sou.
Só tenho palavras de agradecimento,
Por tudo de belo que comigo ficou.

Guardo comigo toda a vossa alegria,
Tudo o que de bom me foi ensinado,
E é por isso, que em especial neste dia,
Vos agradeço, o que me foi confiado.

Enquanto vos lembrar, com o meu coração,
Sei que, através de mim, vocês viverão.

2011 Vasco de Sousa

domingo, 30 de outubro de 2011

Vem


Conta-me em segredo, porque te lastimas,
Enquanto acarinho os teus belos cabelos,
Essas tuas puras e cristalinas lágrimas,
Pérolas contrastantes dos teus pesadelos.

Deixa-me tomar conta do teu sofrimento,
Beijar carinhosamente as tuas faces,
Apossar-me de tão hercúleo tormento
que te apoquenta. Quase te desfazes…

Deixa-me acalmar esse teu coração,
Abraçar-te durante uma eternidade,
Poder em teu rosto, lívido de emoção,
Vislumbrar uma ténue felicidade.

E quando te der o teu sorriso de volta,
Talvez possas tu então, vir à minha porta.

2011 Vasco de Sousa

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Se sentes que sinto o Sentir


Se sentes que sinto o Sentir,
Então porque não te sentas onde me sento,
E poderemos então juntos decidir,
O que fazer deste nosso momento.

Se este encontro é um desencontro,
Se não te encantas com o meu encanto,
Desencantas-me e não te encontro,
Apesar de juntos neste pequeno recanto.

Vamos resumir: Se nos estamos a iludir,
Se fazes alusão a mais uma ilusão,
Não sei se chorar ou rir, mas vou partir.

Levantas-te para sair, Partido o teu coração,
E nessa confusão, Vi o teu Sentir,
Reacendeu-se a paixão. Vem, vamos sair.

2011 Vasco de Sousa

sábado, 22 de outubro de 2011

Obrigado por aqui estares


Aproximas-te de forma serena,
Antevendo os momentos de prazer,
Que saboreias de forma plena,
Com a avidez de mais querer.

Assumes por direito o teu lugar,
Movimentas-te para baixo e para cima,
Deliciando-te com esse aparente manjar,
Decifrando cada frase, cada rima.

No final, então recostas-te,
Devagar… Já com a alma lavada,
Nem sabes bem o que estás a sentir.

É então que voluntariamente ofereces-te,
Para, de uma só assentada,
Escreveres, comentares e retribuir.

2011 Vasco de Sousa
E eu, humildemente, por mim e pelos restantes poetas,
a ti, que estás a ler, só tenho que agradecer-te.
Obrigado.

Serão achaques ou tremores ?


Não sei se são achaques, ou então tremores,
A minh`alma padece e degenera,
Não sei se são arrepios ou suores,
Sei que para mim, não mais será primavera.

Perguntas porque sofro, assim desolado,
Porque quase desejo desaparecer ?
Este coração batendo descompassado,
Frenético ou cego. Vá-se lá saber…

És tu a fonte do meu desassossego,
Viraste o meu mundo de pernas pró ar !
Já nem sei se voltarei a me encontrar…

Quando te olhei, surpreso e sôfrego,
Um só instante da tua beleza impar,
Que me deixou assim…
                                    …por ti a suspirar.

2011 Vasco de Sousa

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Desabafo


Às vezes consegues pôr-me mesmo fulo,
Fico tão irritado que só me apetece gritar,
Ou então afastar-me de ti. Sair num pulo.
Mas o que raio havia hoje de te dar ?

Saio para longe. Quero estar sozinho !
Quero organizar as ideias. Preciso arejar.
Às vezes bastava só um pequeno carinho,
Para tudo ficar no seu devido lugar…

Irrito-me como um miúdo amuado,
Quase que me sinto envergonhado,
Mas tu, também não queres desarmar !

Daqui a pouco, já tudo isto passou,
Já nem saberemos porque é que começou,
Afinal de contas, isto também é amar.

2011 Vasco de Sousa

Sofrimento passivo


Por vezes, sofremos, mesmo sem o saber,
Uma angústia que não queremos admitir,
Talvez simplesmente por não o querer.
É bem mais fácil da verdade fugir.

Queremos pensar que tudo está bem,
Mostrar, acreditar, num falso bem estar.
Isso nada resolve. Tal como uma nuvem
Que tímida, o sol procura tapar.

Temos que fechar os olhos ao mundo,
Esquecer o que se passa em redor,
Olhar para o nosso interior.

Revirar a caixa das memórias até ao fundo,
Procurar bem a ferida dentro da alma,
Pois só assim encontraremos a calma.

2011 Vasco de Sousa

Doutor, ajude-me por favor !


Doutor, ajude-me, que me dói o coração !
(E esqueça lá esses seus fiozinhos,
Porque eu padeço é de paixão,
Deixe lá a máquina dos risquinhos…)

Explique-me como me livro desta dor,
Tão forque que me retira todo o alento,
Injeções, comprimidos, seja lá o que for,
Ajude-me lá, senão eu ainda rebento !

Diz-me então que isto não tem cura ?
Que só ao fim de um tempo é que passa ?
Que raio de doença haveria eu de apanhar…

Doutor, por favor, veja lá se procura.
Demore à vontade ! Não tenho pressa…
Como é possível que não me possa curar ?

2011 Vasco de Sousa

Procuro o meu caminho


Estarei eu louco ? Talvez sim, um pouco…
E gosto desta minha loucura saudável.
Saio do rebanho, afasto-me um pouco,
Procuro outro caminho que seja viável.

E tu, não gostas ? Pouco eu me importo !
Quero desbravar o trilho do meu destino.
Não sei, se no fim chegarei a bom porto,
Mas fui eu que o escolhi ! Pia fino… …

A minha vida não será um labirinto,
Se fizer o que gosto, respeitar o que sinto.
(Amigo dos outros, mas antes meu amigo)

Apenas por já saber quem eu sou,
Posso assim decidir para onde vou.
Verdadeiro com todos, mas sobretudo comigo.

2011 Vasco de Sousa

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Tempo

Longe vão esses dias de inocência,
Quando o teu sorriso era só meu…
São quase recordações de infância,
Mas que nem o tempo desvaneceu.

Ficou uma longa e doce saudade,
De muitos e verdadeiros momentos,
Descomprometidos, belos, de felicidade,
Que hoje podemos recordar juntos.

Ainda vejo nas tuas faces aquele rubor,
O brilho de um sorriso encantador,
Uma voz doce que ainda me embala.

Por vezes, viver o passado é tentador,
O futuro pode ser um indicador,
Mas é no presente que tudo se revela.

2011 Vasco de Sousa

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Big-Bang

Num instante, o silêncio e a escuridão,
Depois tudo o que existe se formou.
Após uma muito grande explosão,
O universo cresceu e tudo se afastou.

Uma estrela nasceu, dos restos de outra,
Poeiras e rochas se juntaram em planetas,
A terra arrefeceu, formou-se a água,
Já se viam asteroides, satélites e cometas.

O milagre da vida povoou os mares,
Em seguida, a terra. Sempre em evolução.
Milhões e milhões de anos tudo isto durou !

Foi então a vez de, por fim apareceres,
E astuta, roubares o meu coração !
Foi então que o meu universo começou.

2011 Vasco de Sousa

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Refúgio

Sento-me exausto, nesta velha cadeira,
Depois de um dia de Sol abrasador.
Contemplo com gosto a vista sobranceira,
Este pôr-do-sol com todo o esplendor.

Aninho-me satisfeito no meu abrigo,
Inspiro a paisagem, a perder de vista…
Expiro devagar… Encontro-me comigo…
Parece uma pintura de um artista.

Lágrimas incontidas rolam pela cara,
Mas estas expressam apenas alegria.
Saboreio os recortes no horizonte.

Acompanham-me o grilo e a cigarra,
Inundam o ar com doce melancolia.
Um belo céu estrelado cobre o monte.

2011 Vasco de Sousa

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Aragem de verão

Um lindo céu estrelado que se agiganta,
Esta aragem morna que sopra e envolve,
Esta paz que a natureza me devolve,
Tal como um sonho que a mim se apresenta.

Olho o infinito com um ar sonhador,
Recupero as forças outrora perdidas,
Estou confiante em novas investidas,
Sorvo a beleza em todo o seu esplendor.

Aos poucos respiro a serenidade,
Reencontro-me a mim próprio novamente,
Partilho o mistério da criação.

Encaro a vida com seriedade,
Empurro meus velhos projetos para a frente,
Renasço com a brisa, a cada verão.

2011 Vasco de Sousa