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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

William Shakespeare (1564 - 1616)

William Shakespeare nasceu em Stratford-upon-Avon a 23 de Abril de 1564 (não havendo certezas em relação a esta data) tendo falecido a 23 de Abril de 1616).
Foi um dramaturgo e poeta inglês, amplamente considerado como o maior dramaturgo da Língua inglesa.
As suas obras, que permaneceram ao longo dos tempos consistem em 38 peças, 154 sonetos, dois poemas de narrativa longa, e várias outras poesias.
As suas obras são mais actualizadas do que as de qualquer outro dramaturgo.
Muitos dos seus textos e temas, especialmente os de teatro, permaneceram actualizados até aos nossos dias, sendo revisitados com frequência pelo teatro, televisão, cinema e literatura.
Entre as suas obras é impossível não ressaltar o famoso Romeu e Julieta, que se tornou a história de amor por excelência e Hamlet, que possui uma das frases mais conhecidas da língua inglesa:
To be or not to be: that's the question (Ser ou não ser, eis a questão).
É certo que muito pouco se sabe sobre a vida de William Shakespeare.
Shakespeare nasceu e foi criado em Stratford-upon-Avon.
Aos 18 anos, segundo alguns estudiosos, casou-se com Anne Hathaway, que lhe concedeu três filhos: Susanna, e os gêmeros Hamnet e Judith Quiney.
Entre os anos 1585 e 1592, William começou uma carreira bem-sucedida em Londres como actor, dramaturgo e proprietário da companhia de teatro Lord Chamberlain's Men, mais tarde conhecida como King's Men.
Há especulações sobre sua sexualidade, sobre suas convicções religiosas, e sobre a autoria de suas peças, pois há especulativas que na realidade ele pode nunca ter existido, isto é, talvez suas obras tenham sido compostas por outras pessoas. Esta última especulação é extensa e tem diversas suposições, desde a de que esses autores assinavam como William Shakespeare, escondendo sua identidade, até a de que William Shakespeare foi provavelmente um actor passando-se como o autor das obras, que na verdade eram compostas por outros dramaturgos.

Produziu suas obras mais famosas entre 1590 e 1613.
As suas primeiras peças foram principalmente comédias e histórias, géneros do qual ele refinou com sofisticação. Em seguida, escreveu principalmente tragédias até 1608, incluindo Hamlet, Rei lear e Macbeth, considerados alguns dos melhores exemplos do idioma inglês.
Em sua última fase, escreveu tragicomédias e colaborou com outros dramaturgos.
Shakespeare era um respeitado poeta e dramaturgo em sua época, mas sua reputação só chegou ao nível em que está hoje a partir do século 19.
O Romantismo, em particular, aclamou a genialidade de Shakespeare.
A maioria das informações que se fazem acerca de William Shakespeare são meras especulações derivadas de estudos, leituras, interpretações, pontos de vistas, hipóteses, lógicas.
A única coisa que se tem certeza absoluta é que as peças atribuídas a Shakespeare marcaram praticamente todos os séculos seguintes, começando pelo tempo em que viveu.
Publicado em 1609, a obra Sonetos foi o último trabalho publicado de Shakespeare sem fins dramáticos. Os estudiosos não estão certos de quando cada um dos 154 sonetos da obra foram compostos, mas evidências sugerem que Shakespeare as escreveu durante toda sua carreira para leitores particulares.
Para consultar os seus sonetos, em versão original - clique aqui

Ainda fica incerto se estes números todos representam pessoas reais, ou se abordam a vida particular de Shakespeare, embora Wordsworth acredite que os sonetos abriram suas emoções.
A edição de 1609 foi dedicada a "Mr. WH", creditado como o único procriados dos poemas. Não se sabe se isso foi escrito por Shakespeare ou pelo seu editor Thomas Thorpe, cuja sigla aparece no pé da página da dedicação; nem se sabe quem foi Mr. WH, apesar de inúmeras teorias terem surgido a respeito.

Os críticos elogiam os sonetos e comentam que são uma profunda meditação sobre a natureza do amor, a paixão sexual, a procriação, a morte e o tempo.


Sonetos (traduzidos) de William Shakespeare


Soneto 1 (tradução de Jorge Wanderley) (ver original)

Soneto 15 (tradução) (ver original)

Soneto 17 (tradução) (ver original)

Soneto 23 (tradução) (ver original)

Soneto 29 (tradução Vasco Graça Moura) (ver original)

Soneto 30 (tradução) (ver original)

Soneto 38 (tradução) (ver original)

Soneto 53 (tradução) (ver original)

Soneto 71 (tradução) (ver original)

Soneto 73 (tradução) (ver original)

Soneto 91 (tradução) (ver original)

Soneto 92 (tradução) (ver original)

Soneto 116 (tradução de Barbara Heliodora) (ver original)

Soneto 148 (tradução) (ver original)

domingo, 11 de maio de 2008

Soneto 54

Oh, como a beleza parece mais bela
com o doce ornamento que a verdade produz!
A rosa tão bela, mas mais bela a julgamos
Pelo doce aroma que nela seduz.

As rosas silvestres têem a cor tão profunda
Quanto a tintura das rosas perfumadas,
Têem os mesmos espinhos e brincam tão vivamente
Quando o sopro do verão expõe os botões velados;

Mas exibem-se apenas para si mesmas,
Vivem esquecidas e murcham obscuras;
Morrem sozinhas. As doces rosas, não;

De suas doces mortes surgem as mais doces essências.
e assim também a ti, a bela e adorável mocidade,
Fenecido o frescor, revela em versos tua verdade.

William Shakespeare

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Soneto 65

Se ao bronze, à pedra, ao solo, ao mar ingente,
Lhes vem a Morte o seu poder impor,
Como a beleza lhe faria frente
Se não possui mais forças que uma flor?

Com um hálito de mel pode o verão
Vencer o assédio pertinaz dos dias,
Quando infensas ao Tempo nem serão
As portas de aço e as ínvias penedias?

Atroz meditação! como esconder
Da arca do Tempo a jóia preferida?
Que mão lhe pode os ágeis pés deter?

Quem não lhe sofre o espólio nesta vida?
Nada! a não ser que a graça se consinta
De que viva este amor na negra tinta.

William Shakespeare - Tradução de Ivo Barroso

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Soneto 130

Não tem olhos solares, meu amor;
Mais rubro que seus lábios é o coral;
Se neve é branca, é escura a sua cor;
E a cabeleira ao arame é igual.

Vermelha e branca é a rosa adamascada
Mas tal rosa sua face não iguala;
E há fragrância bem mais delicada
Do que a do ar que minha amante exala.

Muito gosto de ouvi-la, mesmo quando
Na música há melhor diapasão;
Nunca vi uma deusa deslizando,

Mas minha amada caminha no chão.
Mas juro que esse amor me é mais caro
Que qualquer outra à qual eu a comparo.

William Shakespeare - Tradução do site www. starnews2001.com.br/sonnets.html

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

William Shakespeare - Sonetos (Inglês)

Apresento aqui todos os 154 sonetos, publicados na sua obra - Sonetos, na versão original. Basta seguir as hiperligações para visualizar cada um deles:

Ver todos os sonetos - clique aqui

Soneto 1 - From fairest creatures we desire increase ...
Soneto 2 - When forty winters shall besiege thy brow ...
Soneto 3 - Look in thy glass and tell the face thou viewest ...
Soneto 4 - Unthrifty loveliness why dost thou spend ...
Soneto 5 - Those hours that with gentle work did frame ...
Soneto 6 - Then let not winter's ragged hand deface ...
Soneto 7 - Lo in the orient when the gracious light ...
Soneto 8 - Music to hear, why hear'st thou music sadly ...
Soneto 9 - Is it for fear to wet a widow's eye ...
Soneto 10 - For shame deny that thou bear'st love to any ...
Soneto 11 - As fast as thou shalt wane so fast thou grow'st ...
Soneto 12 - When I do count the clock that tells the time ...
Soneto 13 - O that you were your self, but love you are ...
Soneto 14 - Not from the stars do I my judgement pluck ...
Soneto 15 - When I consider every thing that grows ...
Soneto 16 - But wherefore do not you a mightier way ...
Soneto 17 - Who will believe my verse in time to come ...
Soneto 18 - Shall I compare thee to a summer's day ?
Soneto 19 - Devouring Time blunt thou the lion's paws ...
Soneto 20 - A woman's face with nature's own hand painted ...
Soneto 21 - So is it not with me as with that muse ...
Soneto 22 - My glass shall not persuade me I am old ...
Soneto 23 - As an unperfect actor on the stage ...
Soneto 24 - Mine eye hath played the painter and hath stelled ...
Soneto 25 - Let those who are in favour with their stars ...
Soneto 26 - Lord of my love, to whom in vassalage ...
Soneto 27 - Weary with toil, I haste me to my bed ...
Soneto 28 - How can I then return in happy plight ...
Soneto 29 - When in disgrace with Fortune and men's eyes ...
Soneto 30 - When to the sessions of sweet silent thought ...
Soneto 31 - Thy bosom is endeared with all hearts ...
Soneto 32 - If thou survive my well-contented day ...
Soneto 33 - Full many a glorious morning have I seen ...
Soneto 34 - Why didst thou promise such a beauteous day ...
Soneto 35 - No more be grieved at that which thou hast done ...
Soneto 36 - Let me confess that we two must be twain ...
Soneto 37 - As a decrepit father takes delight ...
Soneto 38 - How can my muse want subject to invent ...
Soneto 39 - O how thy worth with manners may I sing ...
Soneto 40 - Take all my loves, my love, yea take them all ...
Soneto 41 - Those pretty wrongs that liberty commits ...
Soneto 42 - That thou hast her it is not all my grief ...
Soneto 43 - When most I wink then do mine eyes best see ...
Soneto 44 - If the dull substance of my flesh were thought ...
Soneto 45 - The other two, slight air, and purging fire ...
Soneto 46 - Mine eye and heart are at a mortal war ...
Soneto 47 - Betwixt mine eye and heart a league is took ...
Soneto 48 - How careful was I when I took my way ...
Soneto 49 - Against that time (if ever that time come) ...
Soneto 50 - How heavy do I journey on the way ...
Soneto 51 - Can my love excuse the slow offence ...
Soneto 52 - So am I as the rich whose blessed key ...
Soneto 53 - What is your substance, whereof are you made ...
Soneto 54 - O how much more doth beauty beauteous seem ...
Soneto 55 - Not marble, nor the gilded monuments ...
Soneto 56 - Sweet love renew thy force, be it not said ...
Soneto 57 - Being your slave what should I do but tend ...
Soneto 58 - That god forbid, that made me first your slave ...
Soneto 59 - If there be nothing new, but that which is ...
Soneto 60 - Like as the waves make towards the pebbled shore ...
Soneto 61 - Is it thy will, thy image should keep open ...
Soneto 62 - Sin of self-love possesseth all mine eye ...
Soneto 63 - Against my love shall be as I am now ...
Soneto 64 - When I have seen by Time's fell hand defaced ...
Soneto 65 - Since brass, nor stone, nor earth, nor boundless sea ...
Soneto 66 - Tired with all these for restful death I cry ...
Soneto 67 - Ah wherefore with infection should he live ...
Soneto 68 - Thus is his cheek the map of days outworn ...
Soneto 69 - Those parts of thee that the world's eye doth view ...
Soneto 70 - That thou art blamed shall not be thy defect ...
Soneto 71 - No longer mourn for me when I am dead ...
Soneto 72 - O lest the world should task you to recite ...
Soneto 73 - That time of year thou mayst in me behold ...
Soneto 74 - But be contented when that fell arrest ...
Soneto 75 - So are you to my thoughts as food to life ...
Soneto 76 - Why is my verse so barren of new pride? ...
Soneto 77 - Thy glass will show thee how thy beauties wear ...
Soneto 78 - So oft have I invoked thee for my muse ...
Soneto 79 - Whilst I alone did call upon thy aid ...
Soneto 80 - O how I faint when I of you do write ...
Soneto 81 - Or I shall live your epitaph to make ...
Soneto 82 - I grant thou wert not married to my muse ...
Soneto 83 - I never saw that you did painting need ...
Soneto 84 - Who is it that says most, which can say more ...
Soneto 85 - My tongue-tied muse in manners holds her still ...
Soneto 86 - Was it the proud full sail of his great verse ...
Soneto 87 - Farewell! thou art too dear for my possessing ...
Soneto 88 - When thou shalt be disposed to set me light ...
Soneto 89 - Say that thou didst forsake me for some fault ...
Soneto 90 - Then hate me when thou wilt, if ever, now ...
Soneto 91 - Some glory in their birth, some in their skill ...
Soneto 92 - But do thy worst to steal thy self away ...
Soneto 93 - So shall I live, supposing thou art true ...
Soneto 94 - They that have power to hurt, and will do none ...
Soneto 95 - How sweet and lovely dost thou make the shame ...
Soneto 96 - Some say thy fault is youth, some wantonness ...
Soneto 97 - How like a winter hath my absence been ...
Soneto 98 - From you have I been absent in the spring ...
Soneto 99 - The forward violet thus did I chide ...
Soneto 100 - Where art thou Muse that thou forget'st so long ...
Soneto 101 - O truant Muse what shall be thy amends ...
Soneto 102 - My love is strengthened though more weak in seeming ...
Soneto 103 - Alack what poverty my muse brings forth ...
Soneto 104 - To me fair friend you never can be old ...
Soneto 105 - Let not my love be called idolatry ...
Soneto 106 - When in the chronicle of wasted time ...
Soneto 107 - Not mine own fears, nor the prophetic soul ...
Soneto 108- What's in the brain that ink may character ...
Soneto 109 - O never say that I was false of heart ...
Soneto 110 - Alas 'tis true, I have gone here and there ...
Soneto 111 - O for my sake do you with Fortune chide ...
Soneto 112 - Your love and pity doth th' impression fill ...
Soneto 113 - Since I left you, mine eye is in my mind ...
Soneto 114 - Or whether doth my mind being crowned with you ...
Soneto 115 - Those lines that I before have writ do lie ...
Soneto 116 - Let me not to the marriage of true minds ...
Soneto 117 - Accuse me thus, that I have scanted all
Soneto 118 - Like as to make our appetite more keen ...
Soneto 119 - What potions have I drunk of Siren tears ...
Soneto 120 - That you were once unkind befriends me now ...
Soneto 121 - 'Tis better to be vile than vile esteemed ...
Soneto 122 - Thy gift, thy tables, are within my brain ...
Soneto 123 - No! Time, thou shalt not boast that I do change ...
Soneto 124 - If my dear love were but the child of state ...
Soneto 125 - Were't aught to me I bore the canopy ...
Soneto 126 - O thou my lovely boy who in thy power ...
Soneto 127 - In the old age black was not counted fair ...
Soneto 128 - How oft when thou, my music, music play'st ...
Soneto 129 - Th' expense of spirit in a waste of shame ...
Soneto 130 - My mistress' eyes are nothing like the sun ...
Soneto 131 - Thou art as tyrannous, so as thou art ...
Soneto 132 - Thine eyes I love, and they as pitying me ...
Soneto 133 - Beshrew that heart that makes my heart to groan ...
Soneto 134 - So now I have confessed that he is thine ...
Soneto 135 - Whoever hath her wish, thou hast thy will ...
Soneto 136 - If thy soul check thee that I come so near ...
Soneto 137 - Thou blind fool Love, what dost thou to mine eyes ...
Soneto 138 - When my love swears that she is made of truth ...
Soneto 139 - O call not me to justify the wrong ...
Soneto 140 - Be wise as thou art cruel, do not press ...
Soneto 141 - In faith I do not love thee with mine eyes ...
Soneto 142 - Love is my sin, and thy dear virtue hate ...
Soneto 143 - Lo as a careful huswife runs to catch ...
Soneto 144 - Two loves I have of comfort and despair ...
Soneto 145 - Those lips that Love's own hand did make ...
Soneto 146 - Poor soul the centre of my sinful earth ...
Soneto 147 - My love is as a fever longing still ...
Soneto 148 - O me! what eyes hath love put in my head ...
Soneto 149 - Canst thou O cruel, say I love thee not ...
Soneto 150 - O from what power hast thou this powerful might...
Soneto 151 - Love is too young to know what conscience is ...
Soneto 152 - In loving thee thou know'st I am forsworn ...
Soneto 153 - Cupid laid by his brand and fell asleep ...
Soneto 154 - The little Love-god lying once asleep ...


sábado, 19 de janeiro de 2008

Soneto 53

De que substância foste modelado,
Se com mil vultos o teu vulto medes?
Tantas sombras difundes, enfeixado
Num ser que as prende, e a todas sobre excedes;

Adônis mesmo segue o teu modelo
Em vã, esmaecida imitação;
A face helênica onde pousa o belo
Ganhou em ti maior coloração;

A primavera é cópia desta forma,
A plenitude és tu, em que consiste
O ver que toda graça se transforma

No teu reflexo em tudo quanto existe:
Qualquer beleza externa te revela
Que a alma fiel em ti acha mais bela.

William Shakespeare - Tradução de site www. starnews2001.com.br/sonnets.html

Soneto 38

Como pode querer tema minha Musa,
Se vives e ao meu verso estás doando
Teu próprio tema sem que reproduza
Algum papel vulgar tal brilho brando?

Oh! louva-te a ti mesmo, se algo em mim
Achares de valor com olhar honrado;
Pois quem tão vil será que não, enfim,
Fala de ti, se és luz de todo achado?

Sê então a Musa dez, que vale dez
Vezes do rimador as nove herdades,
E àquele que te invoca deixa a vez

P'ra que seu verso dure à eternidade.
Se a minha Musa vale por memória,
É meu o esforço, mas é tua a glória.

William Shakespeare - Tradução de Diego Raphael

Soneto 30

Quando à corte silente do pensar
Eu convoco as lembranças do passado,
Suspiro pelo que ontem fui buscar,
Chorando o tempo já desperdiçado,

Afogo olhar em lágrima, tão rara,
Por amigos que a morte anoiteceu;
Pranteio dor que o amor já superara,
Deplorando o que desapareceu.

Posso então lastimar o erro esquecido,
E de tais penas recontar as sagas,
Chorando o já chorado e já sofrido,

Tornando a pagar contas todas pagas.
Mas, amigo, se em ti penso um momento,
Vão-se as perdas e acaba o sofrimento

William Shakespeare - tradução de site http://www.starnews2001.com.br/sonnets.html

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Soneto 29

De mal com os humanos e a Fortuna,
choro sozinho o meu banido estado.
Meu vão clamor o céu surdo importuna
e olhando para mim maldigo o fado.

A querer ser mais rico em esperança,
como outros ter amigos e talento,
invejando arte de um, doutro a pujança,
do que mais gosto menos me contento.

Se assim medito e quase me abomino,
penso feliz em ti e meus pesares
(qual cotovia em vôo matutino

deixando a terra) então cantam nos ares.
Tão rico me é teu doce amor lembrado,
que nem com reis trocava meu estado.

William Shakespeare - Tradução de Trad. Vasco Graça Moura

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Soneto 1

Dos raros, desejamos descendência,
Que assim não finde a rosa da beleza,
E morto o mais maduro, sua essência
Fique no herdeiro, por inteiro acesa.

Mas tu, que só ao teu olhar te alias,
Em flama própria ao fogo te consomes
Criando a fome onde fartura havia,
Rival perverso de teu próprio nome.

Tu que és do mundo o mais fino ornamento
E a primavera vens anunciar,
Enterras em botão teus suprimentos:

- Doce avareza, estróina em se poupar.
Doa-te ao mundo ou come com fartura
O que lhe deves, tu e a sepultura

William Shakespeare - Tradução de Jorge Wanderley

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Soneto 23

Como no palco o actor que é imperfeito
Faz mal o seu papel só por temor,
Ou quem, por ter repleto de ódio o peito
Vê o coração quebrar-se num tremor,

Em mim, por timidez, fica omitido
O rito mais solene da paixão;
E o meu amor eu vejo enfraquecido,
Vergado pela própria dimensão.

Seja meu livro então minha eloqüência,
Arauto mudo do que diz meu peito,
Que implora amor e busca recompensa

Mais que a língua que mais o tenha feito.
Saiba ler o que escreve o amor calado:
Ouvir com os olhos é do amor o fado.

William Shakespeare

Soneto 17

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.

William Shakespeare

Soneto 15

Quando penso que tudo o quanto cresce
Só prende a perfeição por um momento,
Que neste palco é sombra o que aparece
Velado pelo olhar do firmamento;

Que os homens, como as plantas que germinam,
Do céu têm o que os freie e o que os ajude;
Crescem pujantes e, depois, declinam,
Lembrando apenas sua plenitude.

Então a idéia dessa instável sina
Mais rica ainda te faz ao meu olhar;
Vendo o tempo, em debate com a ruína,

Teu jovem dia em noite transmutar.
Por teu amor com o tempo, então, guerreio,
E o que ele toma, a ti eu presenteio.

William Shakespeare

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Soneto 148

Ai, ai, que olhos pôs-me o amor no rosto,
Que não se ligam com a real visão!
Se ligam, onde foi o juízo posto
Que ao certo lança falsa acusação?

Se o que meu falso olhar ama é bonito
Que meios tem o mundo pra o negar?
E se o não for, pelo amor fica dito
Que o olhar do mundo vence o de se amar.

Como pode do Amor o olhar ser justo
Se entre vigília e pranto ele se verga?
E nem espanta o olhar errar de susto

Se sem céu claro nem o sol enxerga.
Esperto amor, com pranto a me cegar
Pra cobrir erros quando o amor olhar.

William Shakespeare

domingo, 11 de novembro de 2007

Soneto 73

Em mim tu vês a época do estio
Na qual as folhas pendem, amarelas,
De ramos que se agitam contra o frio,
Coros onde cantaram aves belas.

Tu me vês no ocaso de um tal dia
Depois que o Sol no poente se enterra,
Quando depois que a noite o esvazia,
O outro eu da morte sela a terra.

Em mim tu vês só o brilho da pira
Que nas cinzas de sua juventude
Como em leito de morte agora expira

Comido pelo que lhe deu saúde.
Visto isso, tens mais força para amar
E amar muito o que em breve vais deixar.

William Shakespeare Tradução do site www. starnews2001.com.br/sonnets.html

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Soneto 71

Quando eu morrer não chores mais por mim
Do que hás de ouvir triste sino a dobrar
Dizendo ao mundo que eu fugi enfim
Do mundo vil pra com os vermes morar.

E nem relembres, se estes versos leres,
A mão que os escreveu, pois te amo tanto
Que prefiro ver de mim te esqueceres
Do que o lembrar-me te levar ao pranto.

Se leres estas linhas, eu proclamo,
Quando eu, talvez, ao pó tenha voltado,
Nem tentes relembrar como me chamo:

Que fique o amor, como a vida, acabado.
Para que o sábio, olhando a tua dor,
Do amor não ria, depois que eu me for.

William Shakespeare Tradução do site www. starnews2001.com.br/sonnets.html

domingo, 13 de maio de 2007

Soneto 92

Faz teu pior pra mim te afastares,
Enquanto eu viva tu és sempre meu,
Não há mais vida se tu não ficares,
Pois ela vive desse amor que é teu.

Por que hei de temer grande traição
Se tem fim minha vida com a menor;
De vida abençoada eu sou, então,
Por não estar preso ao teu cruel humor.

Tua mente inconstante não me afeta,
Minha vida é ligada à tua sorte;
Como é feliz o fato que decreta
Que sou feliz no amor, feliz na morte!

Porém que graça escapa de temer?
Podes ser falso e eu sequer saber.

William Shakespeare traduzido no site www. starnews2001.com.br

Soneto 91

Alguns cantam seu berço, alguns talento,
Alguns riqueza, alguns seu corpo são,
Alguns as vestes, mesmo de um momento,
Alguns o seu falcão, cavalo ou cão;

Toda emoção traz seu próprio prazer,
Que uma grande alegria neste tem;
Mas não sei desse meu gáudio fazer,
Pois eu supero a todos com um só bem.

Mais que berço pra mim é o teu amor,
Mais rico que a riqueza, que tecido,
Maior do que animal é o teu valor;
Tendo a ti sou por tudo envaidecido:

Sou desgraçado só no tu poderes
Levando tudo, infeliz me fazeres.

William Shakespeare, traduzido no site www. starnews2001.com.br

Soneto 35

Não chores mais o erro cometido;
Na fonte, há lodo; a rosa tem espinho;
O sol no eclipse é sol obscurecido;
Na flor também o inseto faz seu ninho;

Erram todos, eu mesmo errei já tanto,
Que te sobram razões de compensar
Com essas faltas minhas tudo quanto
Não terás tu somente a resgatar;

Os sentidos traíram-te, e meu senso
De parte adversa é mais teu defensor,
Se contra mim te excuso, e me convenço
Na batalha do ódio com o amor:

Vítima e cúmplice do criminoso,
Dou-me ao ladrão amado e amoroso.

William Shakespeare, traduzido no site www. starnews2001.com.br

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Soneto 116

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

William Shakespeare - Tradução de Bárbara Heliodora