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terça-feira, 7 de junho de 2011

Mãe

Não sei se é por timidez,
Ou talvez falta de jeito,
Nunca ponho as palavras a preceito,
Para te dizer aquilo que, talvez,
Devesse sonorizar com naturalidade,
Pois é a mais pura verdade.

Quando escrevo, sozinho, a minha poesia,
Liberto-me de condicionalismos,
As palavras fluem com alguma mestria,
As ideias ordenam-se como queremos.
E então, assim de repente,
O mundo fica alinhado e sorridente.

Não posso dizer nada que não o saibas,
Mas é deveras importante que o diga.
Não irei procurar palavras sábias,
Quero apenas que percebas… Talvez consiga
Mostrar-te um pouco daquilo que sou.
Recebe este amor que agora te dou.

O teu amor de mãe, não se pode descrever,
Devido à sua grande imensidão.
Ele protege-me do mundo, com saber,
Está sempre junto do meu coração.
É ele que me empurra para a frente,
Que por vezes me faz um valente.

Quando estou meio perdido,
És tu que me encontras.
Quando a vida não tem sentido,
És tu que me confortas.
Quando procuro as palavras para te agradecer,
Emudeço, as lágrimas pela cara a escorrer.

Por isso, é importante que saibas,
Que estás sempre no meu coração,
Mesmo que por vezes não o vejas,
Faço da tua, a minha preocupação.
Porque este amor que sinto por ti,
É dos maiores que já conheci.

Quero afirmar-te que te amo, Mãe,
Que tu também és parte de mim,
Um amor imenso, como se supõe,
Que te transmito agora, assim.
Peço-te ainda que possas perdoar,
Todas as vezes que não o pude gritar.

És, foste e serás sempre
Parte de mim
Amo-te.

2011 Vasco de Sousa

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Mãe

Mãe - que adormente este viver dorido,
E me vele esta noite de tal frio,
E com as mãos piedosas até o fio
Do meu pobre existir, meio partido...

Que me leve consigo, adormecido,
Ao passar pelo sítio mais sombrio...
Me banhe e lave a alma lá no rio
Da clara luz do seu olhar querido...

Eu dava o meu orgulho de homem - dava
Minha estéril ciência, sem receio,
E em débil criancinha me tornava,

Descuidada, feliz, dócil também,
Se eu pudesse dormir sobre o teu seio,
Se tu fosses, querida, a minha mãe!

Antero de Quental