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segunda-feira, 7 de abril de 2008

Quero estar ao pé de ti

Quero poder envolver-te nos meus braços,
Sussurrar-te segredinhos ao ouvido,
Vibrar de emoção ao som dos teus passos,
Ouvir a tua voz chamar-me: Querido !

Quero levar-te ao colo para casa,
à noite, ver as estrelas a teu lado,
Sentir o calor do teu corpo em brasa,
Ouvir a tua voz quando estou deitado.

Quero afagar teus cabelos dourados,
Tão atraentes, brilhantes e compridos,
Pois és a rapariga com quem eu sonhei !

Ouvir a tua voz suave e meiga,
Por ti derreter-me como manteiga,
Desde sempre, foste tu quem eu desejei !

1991 Vasco de Sousa

Provocação sexual

Sabes, quando te sentas na minha frente,
Usando essa provocadora saia,
As tuas pernas cruzadas docilmente,
Esse ar fatal de como quem desmaia...

Junto a ti está o negro cabedal,
Mostrando essas pernas belas e perfeitas,
Sabes que essas meias são da cor ideal,
Sabes que ao meu olhar estão sujeitas.

Desejas provocar-me este instinto,
Sinto-me como um animal faminto,
Com o desejo de te devorar !

Esse teu olhar não me engana nada,
Percebo que queres ser saciada,
Por favor, pára de me provocar !

1991 Vasco de Sousa

sábado, 13 de janeiro de 2007

Desejo

Quero-te ao pé de mim na hora de morrer.
Quero, ao partir, levar-te, todo suavidade,
Ó doce olhar de sonho, ó vida dum viver
Amortalhado sempre à luz duma saudade!

Quero-te junto a mim quando o meu rosto branco
Se ungir da palidez sinistra do não ser,
E quero ainda, amor, no meu supremo arranco
Sentir junto ao meu seio teu coração bater!

Que seja a tua mão tão branda como a neve
Que feche o meu olhar numa carícia leve
Em doce perpassar de pétala de lis…

Que seja a tua boca rubra como o sangue
Que feche a minha boca, a minha boca exangue!…
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Ah, venha a morte já que eu morrerei feliz!…

Florbela Espanca in Trocando olhares (1916)