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sábado, 15 de janeiro de 2011

Solidão Emiliana

Transcrevo de mim a solidão,
Horas e horas passadas a definhar,
Desejando estar com os que já lá estão,
Vivendo por viver até minha hora chegar.

Que saudade dos risos definidos,
Dos rostos de quem tenho na lembrança,
O que resta desses tempos idos,
Lágrimas, mágoas, são a minha herança.

O que faço por aqui a prantear?
Se não tenho desta vida senão dor.
Que outra vida me seja destinada,

Que possa de novo capitular,
Ter um final mais apaziguador,
E à solidão? Deixá-la comensurada.

Olinda Ribeiro
Soneto enviado para publicação

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Como te posso culpar, se é a mim que não perdoo ?

Como te posso culpar, se é a mim que não perdoo ? Como poderia alguma vez saber,
Que um novo dia tudo irá mudar ?
Deste meu caminho me iria perder,
Por um sonho que a visão me irá toldar.

Tenho medo. Vivo em constante pavor !
Sufoco no grande inferno da vida,
Intoxicado pelo meu próprio terror,
Perseguindo uma ilusão perdida.

De repente, sinto um frio de morrer !
Um sonho dourado procurei atingir,
Perdoa. Porque não me posso perdoar ?

Como será que eu me poderei perder,
Se afinal não tenho para onde ir ?
Se a mim não perdoo, como te culpar ?

2010 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
A imagem foi obtida aqui.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

És pedra

És pedra, altiva e senhora de ti,
Um alto rochedo, de frios sentimentos,
Em pé suportas todos os maus momentos,
Ao teu lado parece que não existi.

És rocha, muito dura e impenetrável,
Imóvel, observas-me daí com exaustão,
Eterna vives nessa grande solidão,
Ergues-te esguia, de forma inigualável.

Desgastas-te enganando a solidez,
A alma escondes na tua beleza,
Observas paciente o vaivém do mar.

Venero daqui essa tua robustez,
Sofro ao esbarrar nessa fortaleza,
Afasto-me para não mais me magoar.

2009 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original pode ser encontrado aqui.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Lua solitária, que daqui te vejo

Lua cheia que me olhas solitária, ao fundo do horizonte

Lua solitária, que daqui te vejo,
Essa tua expressão, triste e pensativa,
Parece-me que necessitas de um beijo,
Para me olhares, mais convidativa.

O que pensas, não posso tão pouco saber,
Fazes-me companhia nesta solidão,
Procuro em ti, a minha razão de ser,
Pessoa pareces, tal a sofreguidão.

Meu desassossego tu partilhas comigo,
Sabiamente acalmas o meu coração,
Como se também pudesses comunicar !

Não te escondes deste teu novo amigo,
Que a tua presença não seja em vão,
O meu caminho possas tu iluminar !

2008 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original pode ser encontrado aqui.