Nobre e vitorioso cavaleiro,
Flutuas numa armadura dourada.
Através das nuvens chegarás primeiro,
Às mortais celas da serpente alada.
Nos céus, os seus gritos ouvem-se ao longe,
Prisioneira, grita da sua janela !
Lá morreram três donzelas e um monge,
E a última não deverá ser ela !
Ele, um guerreiro de todas as eras,
Empunha a espada perante as feras,
Nos seus olhos o terrível ódio mortal !
Finalmente, como era seu desejo,
Depois de salva, dá-lhe um beijo.
Seguem ambos pelo caminho divinal.
1991 Vasco de Sousa
domingo, 6 de abril de 2008
Cavaleiro andante
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Mors Liberatrix
Na tua mão, sombrio cavaleiro,
Cavaleiro vestido de armas pretas,
Brilha uma espada feita de cometas,
Que rasga a escuridão, como um luzeiro.
Caminhas no teu curso aventureiro,
Todo envolto na noite que projectas...
Só o gládio de luz com fulvas betas
Emerge do sinistro nevoeiro.
- «Se esta espada que empunho é coruscante
(Responde o negro cavaleiro andante),
É porque esta é a espada da Verdade:
Firo mas salvo... Prostro e desbarato,
Mas consolo... Subverto, mas resgato...
E, sendo a Morte, sou a liberdade.»
Antero de Quental
Enquanto outros combatem
Empunhasse eu a espada dos valentes!
Impelisse-me a acção, embriagado,
Por esses campos onde a Morte e o Fado
Dão a lei aos reis trémulos e às gentes!
Respirariam meus pulmões contentes
O ar de fogo do circo ensanguentado...
Ou caíra radioso, amortalhado
Na fulva luz dos gládios reluzentes!
Já não veria dissipar-se a aurora
De meus inúteis anos, sem uma hora
Viver mais que de sonhos e ansiedade!
Já não veria em minhas mãos piedosas
Desfolhar-se, uma a uma, as tristes rosas
Desta pálida e estéril mocidade!
Antero de Quental
O palácio da ventura
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d' ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!
Antero de Quental