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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Nesse mar que é só teu

Nesse mar que é só teu,
atrevo-me a navegar,
atiro conchas pró céu
para me poder guiar.

Como sou aventureira,
não me deixo intimidar,
e cá arranjo maneira,
de lá poder navegar.

Lanço redes de esperança,
e fico à tua espera,
que a pesca é como uma dança,
ou prelúdio de primavera.

Minha barca é o sonho,
meu leme é a tua mão,
com a alma componho,
grandes velas de cartão.

Lembro-me continuamente,
que o mar é vasto e profundo,
como quem ensandeceu,
navego sempre prá frente,
navego e conquisto o mundo,
Nesse mar que é só teu!

Tal e qual uma sereia,
deslumbro-te nesse teu mar,
e como quem sonha sou eu,
neste mar que me rodeia,
não me deixo intimidar,
porque agora o mar é meu!

Olinda Ribeiro

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

As escarpas do teu Amor

Altas e escuras paredes impenetráveis,
Que por entre nós se erguem imponentes,
Na suas fendas, mistérios infindáveis,
Os seus contornos, sombrios e envolventes.

Essa barreira de rochas que nos afasta,
Com o bater das ondas será quebrada,
Pois só um verdadeiro amor de alma aberta,
Levará tão grande muro de vencida.

É meu desejo, de ti aproximar-me,
Na tua espuma docemente afogar-me,
Embala-me com a tua canção.

Salpica-me e envolve-me na tua magia,
Enfeitiça-me com a tua maresia,
Afasta as escarpas cinzentas, da paixão.

2008 Vasco de Sousa

Nota: Este soneto foi inspirado na imagem acima apresentada, da autoria de Rosa Maria(Azoriana), autora do blog: Azoriana, em resposta a um: Desafio.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Pensamentos turvos, de um futuro incerto

Névoa sobre o mar. O desespero de um olhar que procura em vão a esperança por entre a bruma

Nos dias em que me sento, olhando o mar,
A vida passa célere à minha frente.
Todas as batalhas que tive que travar,
Vitórias e derrotas gravadas na mente.

Uma densa névoa ao fundo, no horizonte,
Meus pensamentos turvos, de um futuro incerto,
Um olhar vazio, o corpo dormente,
Um peso tal, que só com a morte liberto.

Na espuma do mar, afoga-se a esperança,
Revivo momentos felizes de criança,
A seiva da vida esvai-se lentamente.

De sonhos perdidos, em estado latente,
Sinto-me sem forças para outra vez lutar,
Qual náufrago, que exausto pára de nadar.

2008 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original encontra-se aqui.

domingo, 14 de setembro de 2008

Teus olhos verde mar

Teus lindos olhos verde mar
Poderei afirmar sem qualquer dúvida,
Depois das mais do que certas evidências,
Que padeço de doença conhecida,
Sofro as mais dolorosas experiências.

São agora inquietas, as minhas noites,
Perdi o apetite, já não consigo ver,
Quando nos cruzámos por breves instantes,
De senhor, um teu servo eu passei a ser.

O teu perfume logo me hipnotizou.
Esses teus olhos, grandes e de coragem,
Alegres, doces e verdes como o mar.

O teu doce andar logo me cativou,
Enfermo, desfaleço à tua imagem,
É a doença do amor, que me vai matar !

2008 Vasco de Sousa

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Soneto ao Mar

Um belo amanhecer por entre a espuma do marSopros de espuma branca, de laivos brilhantes,
A tua fala que embala com suavidade,
Verde e azul, em tons deveras fascinantes;
Pasmo perante tal grandiosidade.

Quedo-me admirado com a tua força,
Como se, de importar o tempo deixasse;
Quando sobre ti flutuo, de mim fazes troça,
Como se, a minha vida de nada valesse.

Salpica-me todos os sonhos esquecidos,
Acorda todos os desejos já perdidos,
Com a tua magia, faz-me suspirar.

No meu encantamento por Dulcineia,
Sábio, derrubas meus castelos de areia,
Ensinas-me a vida ! Só por te admirar...

2008 Vasco de Sousa

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Verdes ondas do mar

Lá fora chove com intensidade,
E as ondas revoltam-se brilhantes...
Naquela casa, longe da cidade,
Tudo não voltará a ser como dantes.

Junto à janela, observamos o mar...
A lareira crepita, ao som da chuva...
O teu sorriso, o brilho do teu olhar,
Todo esse fulgor que te mantém viva.

O som das belas vagas esverdeadas,
O brilho das tuas meias prateadas,
Como eu gosto, de ti perto estar.

Nas árvores, o sinistro som do vento,
No meu coração, um sinal de alento,
Por longas horas, ali vamos ficar...

1991 Vasco de Sousa

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Oceano Nox

Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o Céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente...

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais? -

Mas na imensa extensão, onde se esconde
O inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...

Antero de Quental