Constato que existo surrealista,
Nos escombros dilacerados do meu ser.
Do filme atroz onde sou a protagonista,
Colho os louros pelas escolhas de sofrer.
Grandiosos aplausos de desespero,
Recebo enlutada, quando subo ao palco,
Agradeço com gestos majestosos e reitero,
As feridas do meu peito em socalcos.
Já nem me incomodo como a dormência,
Envolve os minutos de cada hora…
Que esta amálgama de dor infinda,
Mais parece um acto de demência!
Restolhos de lágrimas minha alma devora.
Toda a dor é minha! Ganhei-a! Nunca finda!
Olinda Ribeiro
Soneto enviado por uma leitora do blog
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
O protagonismo é meu
Trevas
Descem sobre mim as trevas,
Envolvem-me num manto sombrio,
Escuridão, cegueira, desvario,
Loucura, para onde me levas.
Pobreza de mágoa é esta agora,
Reflectida na minha sombra,
Sufoco gemidos nas alfombras,
Da morte não vejo chegada a hora.
Incompreensível, intolerável, severa,
É a raiva de te perder sem sentido.
Essa tua teimosia cruel, dilacera,
Destrói-me, corrompe, desvanece.
Do outrora jardim florido,
Resta uma sombra que se esvaece.
Olinda Ribeiro
Soneto enviado por uma leitora do blog
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Escuridão
Há dias em que caminho na escuridão,
Em que o terror se apodera de mim.
Há dias em que preciso da tua mão,
Para me encontrar, nesta rota sem fim.
Um medo crescente, fonte de tormentos,
Que me invade e, aos poucos, já domina,
Que me paralisa todos os movimentos,
Nem tremor que clama por ajuda divina.
A pouco e pouco, vou perdendo as forças,
Quase desejo parar de respirar !
Encontrar a paz… Dá-me esse motivo !
Procuro uma luz que me dê esperanças,
Procuro a razão para poder gritar
ao mundo que estou aqui ! Estou vivo !
2010 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
Esta imagem foi encontrada aqui.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Como te posso culpar, se é a mim que não perdoo ?
Como poderia alguma vez saber,
Que um novo dia tudo irá mudar ?
Deste meu caminho me iria perder,
Por um sonho que a visão me irá toldar.
Tenho medo. Vivo em constante pavor !
Sufoco no grande inferno da vida,
Intoxicado pelo meu próprio terror,
Perseguindo uma ilusão perdida.
De repente, sinto um frio de morrer !
Um sonho dourado procurei atingir,
Perdoa. Porque não me posso perdoar ?
Como será que eu me poderei perder,
Se afinal não tenho para onde ir ?
Se a mim não perdoo, como te culpar ?
2010 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
A imagem foi obtida aqui.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Uma pedra no fundo do mar
Hoje, sou uma pedra no fundo do mar.
Nada ouço, nada sinto e nada vejo.
Esqueço essa dor profunda de amar,
Porque diminuí-la é o meu desejo !
Todos os sons me chegam com mais clareza,
As ondas embalam os meus pensamentos.
O tempo passa… Já nem tenho certeza…
Lá ao longe vão ficando os meus tormentos.
Porque amar será sempre também sofre,
Uma dor que é intensa e tão profunda,
Que me domina, imóvel e moribunda.
Os peixes passam, olham com indiferença,
No meu interior procuro a mudança.
Será o amor uma forma de morrer ?
2010 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
Esta imagem foi encontrada aqui.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
És pedra
És pedra, altiva e senhora de ti,
Um alto rochedo, de frios sentimentos,
Em pé suportas todos os maus momentos,
Ao teu lado parece que não existi.
És rocha, muito dura e impenetrável,
Imóvel, observas-me daí com exaustão,
Eterna vives nessa grande solidão,
Ergues-te esguia, de forma inigualável.
Desgastas-te enganando a solidez,
A alma escondes na tua beleza,
Observas paciente o vaivém do mar.
Venero daqui essa tua robustez,
Sofro ao esbarrar nessa fortaleza,
Afasto-me para não mais me magoar.
2009 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original pode ser encontrado aqui.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Quando a morte nos espreita
Em certo dia, quando por razão médica,
Por entre as brumas, a morte nos espreita,
De rompante, sem nenhuma causa suspeita,
O coração bate e o cérebro suplica. 
Então, talvez subitamente preparados,
Invade o corpo uma estranha calma,
Que estranhamente se apodera da alma,
Seguiremos os nossos destinos traçados.
Se por feliz acaso, ela se vai embora,
Nosso mundo não voltará a ser igual,
Com outros olhos, tudo iremos sorver.
Serenos, valorizamos a vida, agora !
Cada segundo será sensacional,
Porque sentimos a alegria de viver !
2008 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original foi retirado aqui.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Mundo interior
Ficou o mundo para mim, ensurdecedor,
Não suportarei mais alguém me magoar !
Afogado no meu sofrimento e dor,
Poderei proteger-me, se me isolar.
Para todo o sempre, fecho-me no meu mundo,
Não mais eu comunicarei com alguém.
Ficarei escondido no canto mais fundo !
O que me importa que me olhem com desdém...
Assim protegido, terei força e coragem,
Defender-me-ei de todas as agressões,
Considerar-me um fraco, não voltarão.
Fechado no meu cérebro, fico à margem,
Um caminho livre, sem mais confusões,
Estou livre como nunca, na minha prisão !
2008 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original encontra-se aqui.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
O grito da morte (II)
Louco, grito agora em fúria, aterrorizado !
Sabendo que partiu uma grande paixão.
Em mágoa e dor me vejo agora afogado,
Sinto uma faca cortante no coração.
Demente grito em grande e louca aflição !
Gélida face de horror, irreconhecível.
Aos poucos pára de bater o coração,
Numa interminável agonia terrível !
E vencido, caio finalmente por terra,
Perdido nesta solidão que me aterra,
Para que não mais me volte a levantar !
Eu sei que ouviste este meu grito da morte !
Ó mulher, a paixão de minha pouca sorte !
Que me deixaste aqui para sempre a gritar...
2008 Vasco de Sousa
(adaptação de uma versão original de 1991)
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original foi retirado aqui.
O meu Mundo de cristal
Naquele dia, quando de mim te afastaste,
O meu mundo partiu-se tal como um cristal.
Dia após dia, numa procura constante,
Procuro eu, mas em vão, razão que explique tal.
Nada disseste, nem uma carta deixaste,
Foi tudo uma surpresa completa para mim.
Fria e indiferente, tu então partiste,
Deixando-me aqui numa angústia sem fim.
Não irás fazer tu com que páre o meu mundo !
Pois sinto-me de consciência tranquila.
O meu destino traçado irei seguir.
Não entrarei por esse buraco profundo,
Não me afogarei em Whisky e Tequila.
Do meu destino, não me farás desistir.
2008 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original pode ser encontrado (e comprado...) aqui.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Noite escura
Esta noite escura e solitária,
Que com o seu silêncio me ensurdece,
É para mim madrasta! Não se compadece,
Com esta minha falta de alegria.
Imensa escuridão que me provoca dor,
Deixa-me assustado, agonizante,
Um vento de arrepio, forte e cortante,
Um pouco de náusea pelo fétido odor.
Tremo fraco e assustado no meu canto,
Tenho medo! Choro convulsivamente.
Já não sei onde me poderei esconder.
Agora ouço a chuva no seu lamento,
Trovões ecoam assustadoramente,
Ausência de um amor que me deixa a sofrer!
2008 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original encontra-se aqui.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Nevoeiro frio
Estou perdido e sinto-me confuso,
Já não tenho mais vontade de escrever,
Vejo tudo muito cinzento, difuso...
Apenas me apetece introverter !
Sei que te afastaste completamente,
Pressinto que nunca mais nos vamos ver...
Eu gostava de saber, precisamente,
Porque me apaixonei por certa mulher.
Tu desapareceste da minha vida,
Mas no meu coração tu estás ainda,
E de lá não te consigo desalojar !
Se pudesses desculpar esta criança,
Fornecer-lhe um pouco de esperança,
Talvez eu fosse capaz de me animar.
1991 Vasco de Sousa