Quando os olhos fecho, o vazio eu sinto,
Quero afastar-me mas não sei para onde vou.
Eles invadem-me a mente ! Eu não minto !
Um grito estridente, que nunca passou.
Enlouqueço, com estas vozes murmurantes,
Que me algemam longe do mundo real.
Estremeço com os gritos arrepiantes,
Neste corpo que me parece irreal.
Quero fugir, mas já não sei de onde venho,
Dentro de mim, reina já um pavor profundo.
Quero retomar o controlo novamente !
Quero libertar toda a raiva que tenho,
Eu não estou louco ! – Grito a este mundo.
Na cela branca, não me fechem novamente !
2010 Vasco de Sousa
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Vozes Murmurantes
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Embriaguez literária
Torpor, suor, tontura e bebedeira,
Alegria, loucura, amor e paixão.
Euforia, cólica e caganeira,
Ódio, frieza, raiva, rancor, solidão.
Ânsia, revolta, desespero, morte,
Ressaca, vómito, arrependimento,
Tristeza, mágoa, vergonha e má sorte,
Dor, angústia, amargura, sofrimento.
Ambição, alento, desejo, anseio,
Prazer, deleite, calor e exultação.
Expectativa, fé, gosto, confiança.
Sonho, fantasia, ficção, devaneio,
Delírio, meditação, alucinação,
Alento, remorso, sopro, esperança.
2008 Vasco de Sousa
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
O corrupio louco dos ponteiros
Este corrupio louco dos ponteiros,
Que nos faz cedo levantar, depois correr,
Ousa relembrar horários certeiros,
Que por vezes tanto queremos esquecer.
Num acto impensado e corajoso,
Desliguei esse maldito instrumento,
Ali fiquei, deitado e preguiçoso,
Esquecendo qualquer possível lamento.
Parti, leve, em busca da felicidade,
Relevando esse diário tormento,
Que me privaria do êxtase total.
E relegara a responsabilidade,
Querendo viver apenas o momento,
Sem perceber eu, que isso seria fatal.
2008 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
domingo, 6 de abril de 2008
Agradável loucura sensata
Quando o álcool sobe até à mente,
O som atinge o volume máximo.
Eu sinto então que, repentinamente,
Algo se solta ! Não sou o mesmo !
Sinto aquela intensa fúria louca,
Que pouco a pouco atinge o auge !
Quando olho par ti, minha boneca,
Não sei... poderia acontecer hoje.
Sabes que não te desejo nada de mal.
Magoar-te seria pecado mortal !
Tenho algum medo de não me controlar.
Vem ter comigo e dá-me a tua mão !
Mostra-me o lindo caminho da razão !
Por favor... Não me podes abandonar !?
1991 Vasco de Sousa
terça-feira, 1 de abril de 2008
Tempestade cerebral
O ruído do trovão fez-se ouvir !
O som ensurdece, a luz cega !
O heavy metal podes sentir,
Peço-te que ouças minha amiga !
Pois não se pode gostar de alguém,
Que não ouça a mesma música.
Alguém que, enfim, procure também,
Ter a coragem, ter genica.
Ao menos faz uma tentativa,
Tenta gostar daquilo que gosto,
Tenta compreender-me um pouco.
Eu vou ficar na expectativa,
Ao ler a resposta no teu rosto !
Sou excepcional, ou sou louco ?
1991 Vasco de Sousa