Por entre os campos, de tão verde semeados,
Dou lentos passos, fecho os olhos devagar...
Piso a terra, chuto uma pedra no ar,
Afasto a mente de outros momentos passados.
O aconchego do Sol conforta a mente,
O cheiro das flores embriaga os sentidos,
Esqueço com avidez momentos perdidos,
Naquela paz, eu ficava para sempre...
Desço mais um pouco, pela terra barrenta,
Relembro já com saudade, tempos de outrora,
Sento numa pedra quente, a meditar.
Invejo sim senhor a vida pachorrenta,
Que muito gostaria eu de ter agora !
Ficarei pois, mais um pouco... a sonhar...
2009 Vasco de Sousa
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Por entre os campos de verde semeados
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Como te posso culpar, se é a mim que não perdoo ?
Como poderia alguma vez saber,
Que um novo dia tudo irá mudar ?
Deste meu caminho me iria perder,
Por um sonho que a visão me irá toldar.
Tenho medo. Vivo em constante pavor !
Sufoco no grande inferno da vida,
Intoxicado pelo meu próprio terror,
Perseguindo uma ilusão perdida.
De repente, sinto um frio de morrer !
Um sonho dourado procurei atingir,
Perdoa. Porque não me posso perdoar ?
Como será que eu me poderei perder,
Se afinal não tenho para onde ir ?
Se a mim não perdoo, como te culpar ?
2010 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
A imagem foi obtida aqui.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
A verdade aparente
Nesta confusa moderna sociedade,
As aparências sobrepõem-se às regras,
A mentira prevalece sobre a verdade,
O que consegues ver, não é o que esperas.
Os teus bens materiais são alicerces,
Como se vivesses num mundo virtual.
Tão envolvido estarás, que até te esqueces,
Que estás rodeado por um mundo real.
Os teus objectivos estão limitados,
Os pensamentos são ligeiros, descartáveis.
A palavra perde a força e o seu sentido.
Os grandes valores parecem condenados !
Serão os teus sentimentos insondáveis,
Estará o verdadeiro amor perdido ?
2008 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original pode encontrar-se aqui.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Recordações...
Naquelas noites longas e muito frias,
Quero que estejas comigo em casa,
Passando o Inverno junto da brasa,
Naquelas noites de Dezembro festivas.
Por entre todas aquelas almofadas,
Junto à lareira acesa, deitados,
Sobre aquele chão fofo, abraçados,
Relembrando histórias passadas.
Na TV vemos um filme romântico,
A enorme sala, estilo prático...
Fraca, agradável luz dos projectores.
Ao beijarmo-nos apaixonadamente,
Doze badaladas soaram na mente...
Viva o lindo sonho dos escritores.
1991 Vasco de Sousa
segunda-feira, 7 de abril de 2008
O Jantar inesquecível
Hoje sonhei contigo, e imaginei...
Que nos juntámos num romântico jantar,
à luz das velas, sob o brilhante luar,
Naquele jardim que mentalmente plantei.
Tu lá estavas, bonita, deslumbrante...
O sonho tornara-se realidade,
Descobri a palavra felicidade,
Nesse teu olhar curioso e brilhante.
As palavras perderam significado,
Quando descobri com bastante agrado,
Nos teus olhos, o que tu sentias por mim.
Quis nunca mais acordar daquele sonho,
Deixar para sempre o mundo tristonho,
E ficar contigo mesmo até ao fim !
1991 Vasco de Sousa
Breve sonho feliz
Hoje, o meu sonho é estar contigo,
Nas altas montanhas de neve cobertas,
Tendo uma cabana como abrigo,
Uma lareira aquecendo as mantas.
Sentados confortavelmente no colchão,
Por entre almofadas e peles belas,
Tendo as chamas como iluminação,
Pelo vidro, admiramos as estrelas.
Abraço-te fortemente nos meus braços,
Teu olhar atento, seguindo meus passos,
O teu corpo quente, aconchegando-se...
Tu está feliz, dás-me o teu amor,
O meu coração por ti bate com vigor !
Por fim, o sonho breve, apagando-se...
1991 Vasco de Sousa
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Acordando
Em sonho, às vezes, se o sonhar quebranta
Este meu vão sofrer; esta agonia,
Como sobe cantando a cotovia,
Para o céu a minh'alma sobe e canta.
Canta a luz, a alvorada, a estrela santa,
Que ao mundo traz piedosa mais um dia...
Canta o enlevo das cousas, a alegria
Que as penetra de amor e as alevanta...
Mas, de repente, um vento humido e frio
Sopra sobre o meu sonho: um calafrio
Me acorda. — A noite é negra e muda: a dor
Cá vela, como d'antes, ao meu lado...
Os meus cantos de luz, anjo adorado,
São sonho só, e sonho o meu amor!
Antero de Quental
segunda-feira, 15 de janeiro de 2007
Sonho Morto
Nosso sonho morreu. Devagarinho,
Rezemos uma prece doce e triste
Por alma desse sonho! Vá… baixinho…
Por esse sonho, amor, que não existe!
Vamos encher-lhe o seu caixão dolente
De roxas violetas; triste cor!
Triste como ele, nascido ao sol poente,
O nosso sonho… ai!… reza baixo… amor…
Foste tu que o mataste! E foi sorrindo,
Foi sorrindo e cantando alegremente,
Que tu mataste o nosso sonho lindo!
Nosso sonho morreu… Reza mansinho…
Ai, talvez que rezando, docemente,
O nosso sonho acorde… mais baixinho…
Florbela Espanca in Trocando Olhares (1916)