domingo, 18 de novembro de 2012

Voltarei…quando de novo me reencontrar…

As palavras querem sair…gritam dentro de mim…
As palavras não se querem ociosas … querem eclodir…
Mas ai de mim que já não sei expressar o que sinto…
Falta-me a rima
Falta-me o gozo
Falta-me o apetite voraz por escrever a minha alma
A morte física do ser que me pariu, deixou-me inerte e sem rumo…
Deixou-me apneica na minha própria condição de celebrar a vida
Só eu tenho o condão de me catarsizar…
Mas fatal na minha evidente separação umbilica reagi amortizando no degredo

Perdi fisicamente muitos entes queridos… mas sempre os sustenho vivos dentro de mim…
Porém com este ser maravilhoso a minha santa mãe…
É realizar vivente o célebre ditado…:
- QUEM NÃO TEM MÃE NÃO TEM NADA!!!!

Estou a fazer o meu luto o melhor que sei e posso…
Apraz-me saber que o tempo me vai ajudar… bem como todos aqueles que me têm apoiado…
Incluindo todos vós meus preciosos amigos!!!!

Um grande bem haja
Até breve

2012 Olinda Ribeiro

Foi de minha mãe que herdei a coragem de ultrapassar as adversidades….
Também  herdei o nome com que assino,,,,Olinda Ribeiro…

sábado, 17 de novembro de 2012

Vazia a sala de meu peito

Vazia a sala de meu peito, cujo encanto
Versejo em mágoas que não cabem num papel
O meu silêncio escreve as dores deste canto
O qual declamo a sós de tudo, em vão, ao léu...

Outrora as flores que cingiam doce manto
Por sobre a terra tão sofrida imersa em fel
Sem seus poetas tudo é triste e dói, dói tanto!
Entregue a vida em seu ocaso, altiva, ao céu

Qual letra, enfim, reter-me a lágrima incontida?
Há de ficar pra sempre em nós a dor sentida
Sem que se escreva um alento e piedade

Se tudo é sempre assim: do amor rumo à saudade
Por que razões seguir em frente a nossa vida?
Por que o adeus teima em nascer da eternidade?

2012 Carlos Gomes

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A sala está vazia

Apraz-me recordar tão belo espaço,
Outrora vivo e reluzente,
Agora vazio e desolado.
Poetas que esperam, desesperando,
Por ideias que lhes valham belos sonetos,
Leitores que aguardam esperando,
Pelas palavras não ditas,
Pelas rimas que não são escritas,
Por um presente que por enquanto é passado.

Uma saudação pela vossa paciência,
Um grito meu, de afirmação,
Um renascimento que se evidencia,
É essa a minha convicção.

Todos os dias me lembro de vós,
E da saudade da nossa Olinda que tanto me inspira.

Esta sala está vazia, mas,
Mesmo em silêncio comunicamos.

2012 Vasco de Sousa

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Aqui junto de ti

Grandes obras nascem de momentos insolúveis de solidão.
A grandeza de continuar nesta eterna saga faz de mim quem sou.
E pergunto continuamente:
Afinal quem sou eu?
Responde-me o universo
Tu és a magia do instante que passa e da saudade que fica.
És o voar da garça
Mas nunca serás esquecimento.
Então encosto-me no sofá e por breves momentos deixo-me dormir…

2012 Olinda Ribeiro
Fátima não esqueças

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

É noite na minha alma

Verdes lagos e casas caiadas debruadas a anil
Bois puxando o arado e cães latindo aos viajantes
O velhinho sentado no alpendre
As avezinhas voando
O dia está luminoso e sorridente
E as pedras do caminho vão chorando comigo
É noite na minha alma…

2012 Olinda Ribeiro

domingo, 2 de setembro de 2012

Náufrago


És, onda deste mar, presságio da partida
Quando que há muito foste encanto da chegada
Ao rebentar por entre as pedras da enseada
Acusa, o teu cantar, os versos duma vida

A vida que tanto buscou segura estada
Singrando o mar, fugindo ao medo, já sentida
Que o horizonte não guardava uma saída
E que todo caminho encerra rumo ao nada

A mesma areia que chamei de esperança
A mesma terra que tempos depois me lança
Neste deserto onde as águas não tem fim

Percebo a lágrima invadindo o mesmo rosto
Olho pra terra... Ela indica o lado oposto
Vem onda, vem levar o que restou de mim...

 Julho 2012 Carlos Gomes

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

De improviso...

As farpas crivam sentimentos imersos
Nas profundezas das minhas entranhas
Descarnadas em sal moiro e versos
Insolúveis, palavras vagas e estranhas.

Desgostos ventilados a falsas esperanças,
Essas coisas que guardamos no alvor da solidão
E os gastos físicos em prol de mudanças
Maneiradas a gosto mas sem emoção.

(Queria ter amado mais e beijado sem temores
(Sei-me imune às moralidades imorais.)
Desprendida de compromissos e rancores)

Liberta das cercanias e de lobos orvalhosos
Destituída de preconceitos triviais
Seduzida de imprevisto e mistérios gozosos!

2012 Olinda Ribeiro

sábado, 25 de agosto de 2012

Logro

Não me apetece escrever
Só me apetece amorfar incognitamente
Enterrar-me em sequências imaginárias
Malograr os circuitos que me sustêm
Com as letras enfeitar sonhos desfeitos
Atascar-me em bebedeiras infalíveis
Apagar as desilusões
Voltar ao tempo da germinação
Voltar a ser parida
Quem sabe então eu seja eu
E corajosamente me desafie
A ser de novo vossa mãe
Para que me descubram e se sintam meus filhos.
A vida festeja-se
A vida não é uma festa incessante
Lágrimas e risos são ambos preciosos
Mas o logro está em engendrar planos substitutos
E instituí-los como caminhos sem volta
Lamento desiludir a credibilidade do conceito
Mas amo-vos e por vos amar
Recuso-me a ceder a minha integridade
Em nome de falsos ideais.
Em nome do que quer que seja…
A minha integridade
É a razão porque me mantenho  inacessível
Aos construtores da destruição.
Preciso de ser integra
Porque preciso de amar sem algemas e sem grilhetas.
Porque desde os primórdios de mim
O amor por vós foi sempre
O objectivo da minha existência.
Significa que continuarei a dizer não,
Ainda que o preço a pagar
Seja ficar incógnita
Nas batalhas que travei e venci
Porque foi nas vitórias
Que mereci o direito de hastear
A minha bandeira.

2012 Olinda Ribeiro

sábado, 4 de agosto de 2012

Dor ao vento

Ah esses espaços por onde navego
Rumo a teus braços e à saudade mansa
Odorífica primavera no corpo te entrego
Já florida por desejos saciada bonança.

Os nichos caiados de alva bruma
Decorados com o vôo das andorinhas
Atapetados com gotas de orvalho e de espuma
São lar de saudades tuas e de mágoas minhas.

O lenço branco hasteado no soluçado adeus
Não augura para meu coração doces tréguas
Antevejo no sussurro da brisa um furtuito lamento

Clamante, desolado, rubroso. Olho os avermelhados céus,
Abro meu peito ao trote da dor selvagem, lembrando éguas
Parindo potros de loiras crinas e corpos de vento.

2012 Olinda Ribeiro

sábado, 28 de julho de 2012

Dissonância

Toda a poesia que se perde
Por preguiça, incomodo, ou desleixo,
São poemas da alma onde fecho
O “sentir” embrionário e verde.
Tantas coisas tenho para dizer
Porquês de vida querendo resposta
Calamidades internas onde a aposta
É o ego soltar a opressão que me faz sofrer.

Não deixar os tumultos internos prevalecer
É controlar a revolta interna do meu existir.
Mas tudo é errado e incongruente.
E sem que a vontade mande, todo o meu ser
Explodiu em obesidade física e mental, fazendo colidir
A liberdade e o direito ao que a alma sente.

2012 Olinda Ribeiro