sábado, 7 de junho de 2008

Nothing Else Matters

Mesmo longe, estou sempre perto de ti,
Esta união, que entre nós construímos
É a mais forte; A tudo resistimos,
A confiança procuro-a junto a ti.

Nunca abri o meu coração desta maneira,
Viveremos a vida como entendermos,
Nesta aliança que nos mantém unidos,
Todos os dias, algo novo nos espera.

Não são só palavras, mas sim os sentimentos,
Juntos viveremos os melhores momentos,
Com a certeza que nada mais nos importa.

Nunca me preocupei com o que dizem,
O que pensam, o que sabem, o que fazem,
O teu Amor; Nada mais me importa.

2008 Vasco de Sousa
Nota do autor: Este soneto resulta de uma muito modesta homenagem a um grande grupo que admiro há muitos anos - os Metallica, o qual foi baseado na letra de uma das suas músicas, com o mesmo título deste soneto. As restrições da rima, da letra da música e do número de sílabas, condicionaram o resultado final, que ficou aquém daquilo que esperava...
Transcrevo também a letra da canção, para que, todos os que não a conhecem, possam compreender a relação entre essa canção (muito especial para mim) e este soneto.


Nothing Else Matters
(letra de James Hetfield e Lars Ulrich - Metallica 1991)
Todos os direitos, pertencem aos autores da canção

So close, no matter how far
Couldn`t be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters

Never opened myself this way
Life is ours, we live it our way
All these words I don`t just say
And nothing else matters

Trust I seek and I find in you
Every day for us something new
Open mind for a different view
And nothing else matters

Never Cared for what they do
Never cared for what they know
But I know

So close, no matter how far
Couldn`t be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters

Never Cared for what they do
Never cared for what they know
But I know

Never opened myself this way
Life is ours, we live it our way
All these words I don`t just say
And nothing else matters

Trust I seek and I find in you
Every day for us something new
Open mind for a different view
And nothing else matters

Never cared for what they say
Never cared for games they play
Never cared for what they do
Never cared for what they know
And I know

So close, no matter how far
Couldn`t be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Soneto ao Mar

Um belo amanhecer por entre a espuma do marSopros de espuma branca, de laivos brilhantes,
A tua fala que embala com suavidade,
Verde e azul, em tons deveras fascinantes;
Pasmo perante tal grandiosidade.

Quedo-me admirado com a tua força,
Como se, de importar o tempo deixasse;
Quando sobre ti flutuo, de mim fazes troça,
Como se, a minha vida de nada valesse.

Salpica-me todos os sonhos esquecidos,
Acorda todos os desejos já perdidos,
Com a tua magia, faz-me suspirar.

No meu encantamento por Dulcineia,
Sábio, derrubas meus castelos de areia,
Ensinas-me a vida ! Só por te admirar...

2008 Vasco de Sousa

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Quem sou eu ?

Ponto de interrogação - Quem sou eu ? Olho pelo vidro, de chuva salpicado,
Observo pela janela, o meu reflexo,
Não reconheço esse rosto maltratado,
Traído pela memória, fico perplexo.

E pergunto-me: Será que sei quem sou ?
A insatisfação cresce dentro de mim,
Uma raiva que as recordações apagou;
Uma revolta que parece não ter fim.

Hoje sinto que apenas em mim chove,
E já nem sei tão pouco o que me move,
Um sentimento sem nome, nem solução.

Apetece-me abrir aquela janela,
Molhar-me, olhando a suja viela,
Saltar através da negra escuridão.

2008 Vasco de Sousa

domingo, 25 de maio de 2008

Tu és aquela de quem eu mais gosto

Uma rosa simples, para um grande amor Quando à noite penso nesse teu jeito,
Despreocupada, alegre e vaidosa,
Essa doce voz com a qual me deleito,
Esses gestos que te tornam graciosa,

Sinto que valeu a pena de ti gostar,
E mesmo que não me queiras corresponder,
Nunca me importarei de por ti chorar,
Espero que ele, feliz te possa fazer...

Mas se o sentires e se o quiseres,
Se uma oportunidade me deres,
Meu Deus, por ti a tudo estou disposto !

Deixa-me cuidar de ti e proteger-te !
Quero gritar ao mundo, poder dizer-te:
Neste mundo tu és de quem eu mais gosto.

2008 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original encontra-se aqui.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Tivesse eu nascido um bicho do campo

Paisagem do campo, contrastante com uma confusa sociedade moderna Tivesse eu nascido um bicho do campo,
Ou um pássaro a esvoaçar na brisa,
Uma lebre, andorinha ou pirilampo,
A serpente que por entre as pedras desliza,

E teria graciosamente escapado,
Na moderna sociedade da confusão,
Ao grande e brilhante caos instalado,
Muita e actualizada desinformação.

Poderia descansar ao sabor do vento,
Sugaria eu, sem pudor, cada momento,
E não me esqueceria pois de viver.

Tivesse eu nascido num buraco fundo,
Já não me fartaria deste meu mundo,
Pulsaria de alegria até morrer.

2008 Vasco de Sousa

Os direitos desta imagem pertencem ao seu autor.
O original encontra-se aqui.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Todas as palavras que não mais te direi

Estrangulam-se na minha garganta, todas as palavras que não mais te direi Todas as palavras que não mais te direi,
Regurgitam nesta garganta sufocada;
A tristeza; Angústia em dor transformada.
Por quem outrora suspirei; Não mais verei.

Desculpa-me sempre que te apontei defeito,
Eterno será este amor que não tem fim,
Porque foste tu assim embora sem mim,
Ferida permanente aberta no peito.

Grande saudade que me corroi por dentro,
Da minha vida traço sinistro espectro,
Essa malvada que te afastou assim.

Desapareceste quando tinhas tanto
para dar; Cada linha será um pranto.
Porquê ? Levasse-me antes Ela a mim !

2008 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
O original encontra-se aqui.

domingo, 18 de maio de 2008

Amanhã não esperes mais por mim, Amor

Uma tempestade de sentimentos que me afoga em ácidas lágrimas Amanhã não esperes mais por mim, Amor,
Nesta doente alma levo um turbilhão,
Que me arrasta num imenso mar de dor,
Para o deserto, longe da multidão.

Apaga-me o corropio do tempo,
Sinto-me fraco para poder resistir,
Vento da vida que s`entranha no corpo,
A hora aproxima-se; Terei de partir.

Matam-me as tuas lágrimas sofridas,
De ti, ácidas palavras escondidas,
Ritmo sufocante que me seca a vida.

Facas que m`atravessam a carne rasgada,
Esta grande paixão em dor transfigurada,
Não quero que sofras mais ! Estou de partida...

2008 Vasco de Sousa

Idealismo

Falas de amor, e eu ouço tudo e calo
O amor na Humanidade é uma mentira.
É. E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.

O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
É o amor do sibarita e da hetaíra,
De Messalina e de Sardanapalo?

Pois é mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado-
Alavanca desviada do seu fulcro

-E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!

Augusto dos Anjos

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Com os mortos

Os que amei, onde estão? idos, dispersos,
Arrastados no giro dos tufões,
Levados, como em sonho, entre visões,
Na fuga, no ruir dos universos...

E eu mesmo, com os pés imersos
Na corrente e à mercê dos turbilhões,
Só vejo espuma lívida, em cachões,
E entre ela, aqui e ali, vultos submersos...

Mas se paro um momento, se consigo
Fechar os olhos, sinto-os a meu lado
De novo, esses que amei: vivem comigo,

Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,
Juntos no antigo amor, no amor sagrado,
Na comunhão ideal do eterno Bem.

Antero de Quental

Tese e antítese

I

Já não sei o que vale a nova ideia,
Quando a vejo nas ruas desgrenhada,
Torva no aspecto, à luz da barricada,
Como bacante após lúbrica ceia!

Sanguinolento o olhar se lhe incendeia...
Respira fumo e fogo embriagada...
A deusa de alma vasta e sossegada
Ei-la presa das fúrias de Medeia!

Um século irritado e truculento
Chama à epilepsia pensamento,
Verbo ao estampido de pelouro e obus...

Mas a ideia é num mundo inalterável,
Num cristalino Céu, que vive estável...
Tu, pensamento, não és fogo, és luz!


II

Num Céu intemerato e cristalino
Pode habitar talvez um Deus distante,
Vendo passar em sonho cambiante
O Ser, como espectáculo divino:

Mas o homem, na terra onde o destino
O lançou, vive e agita-se incessante...
Enche o ar da terra o seu pulmão possante...
Cá da terra blasfema ou ergue um hino...

A ideia encarna em peitos que palpitam:
O seu pulsar são chamas que crepitam,
Paixões ardentes como vivos sóis!

Combatei pois na terra árida e bruta,
Té que a revolva o remoinhar da luta,
Té que fecunde o sangue dos heróis.

Antero de Quental