sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sara crioula... Mas cheira a Lisboa!

Os dias vagos saracoteiam-se em doces mornas
E a Sara encanta melodiosa e crioula
Os tons ecoam em diversos timbres
Os instrumentos dançam gingões e rútilos,
Várias raízes, uma só toada,
Voz quente sensual, forte, mas delicada.
Braços afinados elevam nas mãos o aplauso,
O som estocado dá o mote vibrato,
Sara tu és vida dourada bailando como trigo,
Quem te chama deserto?
Não sabe que quando cantas semeias sustento,
e teu corpo canela dolente ao a musica beijar,
está a escrever versos aos quatro elementos,
e os deixa suaves mates a harmonizar!
Quem te chama árida?
Nunca viu o talento de ti a brotar!
E se o teu jeito de menina faz de nós o que quer,
É porque em cima do palco tu és uma grande mulher!
(Silenciaste a multidão cantando à capela,
O estrondo foi tal que me senti levitar.)
Tu és plena de vida, és âmbar, és sândalo,
sons de África e do mundo inteiro,
os crioulos mareiam na tua voz… sentem-se orgulhosos,
embalo-me, e morno nas músicas que compões,
ao ouvir-te cantar…. Tão Sara tão fértil…
Sorrio… cúmplice… digo cá pra mim…
Deixá-los sonhar… a Sara é crioula…
é África é mundo …
a Sara é crioula…
mas cheira a Lisboa…
deixá-los mornar…
A Sara é crioula…
cheira a Lisboa….
cheira a Lisboa!
Mas cheira a Lisboa!

2012 Olinda Ribeiro
CCB -Sara Tavares - 23/02/2012

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Soltas vão as palavras.

A paixão.
Ai a paixão…
É um dos condimentos da vida,
Ora agora chega, ora vai de partida.
Não poucas vezes é incerta.
Avassaladora chega, entranha-se,
Ao fim de um tempo, por vezes, estranha-se.
(Onde será que já ouvi esta?)

A paixão.
Novamente a paixão…
Choro, corro e rio,
Salto, grito, estou por um fio.
A vida é para ser vivida!
Sei que pareço um pouco louco
(e se calhar não é pouco),
MAS, não é essa a parte divertida?

A paixão.
Agora e sempre, a paixão!
Garra, vontade e euforia,
Tristeza, loucura ou alegria,
Amadurece lenta, no coração,
Espalha-se pelo corpo, de seguida,
Envolve-nos de forma aguerrida,
É prazer, sustento e emoção!

A paixão.
Eternamente a paixão.
Uma muito sã insanidade,
Que não se perde com a idade.

2012 Vasco de Sousa

Não roubarei mais sonhos para ti

Habitas nesse teu mundo de fantasia,
Em redoma vítrea foste protegido.
Pensas tu que compras sonhos e alegria?
Tocarás o Sol e soltarás um rugido?

Serás mesmo assim desde que nasceste?
Acima da justiça e da verdade?
Não sei em que parte é que te perdeste,
Terá sido em muito tenra idade.

É o tempo de te salvares desse mundo,
Caminha de volta para a realidade,
Já não roubarei mais sonhos para te dar.

Afasta-te desse teu coma profundo,
Acorda para a vida. De verdade!
É a maior dádiva a almejar.

2012 Vasco de Sousa

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Gosto muito de si

Gosto muito de si… Caso a cegueira se generalize,
tranquilize na certeza que eu… eu,
jamais me esquecerei da sua riqueza!


Vem cá brilhante estrela-d’alva,
Deixa que o teu amanhecer me ilumine.
Que um verso terno me mime,
E eu floresça rosa Malva.

Deixa-me banhar nos céus e nas marés,
Correr pelos sonhos azuis…
Ser como me vês e intuis,
E saber-te a mestra que És.

Doce fada que és minha madrinha,
E bafejas minha alma com condão,
Alivias a dor, acalmas-me o coração,
Mandas pra longe a tristeza minha!

Afinal és muito melhor poetiza que eu!
Dizes o mundo em poucas palavras!
Quem me dera ter essa sapiência:
Entender o que só almas puras entendem!

2012 Olinda Ribeiro

O peso do céu

O peso do céu. Sobre a minha cabeça.
Perdoa-me. É tudo o que eu quero.
Deixa entrar o cão que a chuva escorraça.
Deitado no chão frio, aqui espero.

Com saudade relembro a lareira quente,
Diz-me o vento que agora é tarde,
A autoestima abandonou a mente,
Exposto à mercê desta tempestade.

Agora à chuva tudo eu confesso.
Amaldiçoo aquilo eu que me tornei,
Tudo o que fiz e o que deixei de fazer.

Assim, contra mim escrevo. Estou possesso.
Despido de pudores, suplicar-te-ei:
Perdoa-me ! Eu farei por o merecer.

2012 Vasco de Sousa

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Não é saudade… É não esquecer…

Velejo, respiro, ao sabor da brisa,
Renascendo poesia em cada verso,
Sal, sol, urze, carinho disperso,
O gesto grato, e alguém ameniza.

Corpo e alma em camas de dor,
Fins-de-linha cansaço e sofrer,
Estendem sorriso para agradecer
Momentos ténues dados com amor.

Sinto-me parca, impotente, desleal,
Beijo de judas. A morte vem, eles vão,
Últimos carinhos… agradecem pelo fim…

Serenam, sorriem, partem… ponto final!
Perante tão belo quadro de Gratidão,
Silenciosa lágrima rola… choro por mim…

2009 Olinda Ribeiro
Porque sinto que todos continuam a velar por mim…
01 de Novembro de 2009

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Estou imóvel. Aqui parado.

Estou imóvel. Aqui parado.
Arrasto as palavras dentro de mim.
Lento… Neurónio não, neurónio sim.
A tua realidade não é a minha,
Falas comigo à tardinha…
Não sei o que te responder,
O que será que estás a dizer ?

Um sorriso rasgado.
Dás-me um carinho abençoado,
Derreto-me com ele… de bom grado.
Gostava de te poder sorrir…
A minha face parece não fletir,
Da minha boca solta-se um gemer,
Uma lágrima escorre sem querer.

Abraças-me. Estou deitado.
Amanhã virás novamente,
Com o teu ar bondoso e paciente,
E mesmo que eu não diga nada,
Tu sabes que muito me agrada,
Aqui, qual inconsciente, a divagar,
Receber o amor do teu olhar.

Quem és, já pouco importa,
Estarás amanhã à minha porta.
Obrigado.

2012 Vasco de Sousa

domingo, 29 de janeiro de 2012

Epopeia

Nasce a epopeia do Ser
A típica narração dos feitos
Moinhos e ventos contrafeitos
Minutas dos contos a desenvolver

Romantismo ou solo a dois
Novelas de horas soltas
Entreabrir leve de portas
Novas promessas nascem depois

Continuo acreditando na arte
Suplantando efémeras escaramuças
Parodiando mecânica e lazer

Despeço a saudade que parte
Não visto negro ou carapuças
Nasce uma nova epopeia - O Meu Ser!

2012 Olinda Ribeiro

domingo, 22 de janeiro de 2012

Avançar não é esquecer ou banir

Fundamental a flexibilidade
Instala-se e a nostalgia pacifica
Num ápice tudo se clarifica
Fundo ilusão e veracidade

Avançar não é esquecer ou banir
Tenho carinho pelas minhas vivências
Debalde as consequências
Refreio o impulso de não reflectir

Veredas e memórias clássicas
São labirintos muito apetecíveis
Épocas épicas e outras mudanças

Têm faunas e fórmulas básicas
Vestem-se de causas infalíveis
Mas pereno nas minhas esperanças.

2012 Olinda Ribeiro

E sei que amo com mais ardor

Encontrei o modo perfeito
De me entender sem constrangimento
Apelo ou simples entendimento
Tudo o que me desafina… rejeito!
E sei que conspiro a meu favor
Até os afectos são mais fogosos
E as mãos têm outro acarinhar
E as mãos sabem como acarinhar
Até os afectos são mais gozosos
E eis que conspiro a meu favor.
Dou livre arbítrio ao meu coração
Caminho comigo de mãos dadas
Juntas amamos noites e alvoradas
Mas não perco o fio nem a motivação!
E sei que conspiro a meu favor
Até os afectos são mais fogosos
E as mãos têm outro entrelaçar
E as mãos suavizam o entrelaçar
Até os afectos são mais gozosos
E eis que conspiro a meu favor
E sei que amo com mais ardor!

2012 Olinda Ribeiro