Habitas nesse teu mundo de fantasia,
Em redoma vítrea foste protegido.
Pensas tu que compras sonhos e alegria?
Tocarás o Sol e soltarás um rugido?
Serás mesmo assim desde que nasceste?
Acima da justiça e da verdade?
Não sei em que parte é que te perdeste,
Terá sido em muito tenra idade.
É o tempo de te salvares desse mundo,
Caminha de volta para a realidade,
Já não roubarei mais sonhos para te dar.
Afasta-te desse teu coma profundo,
Acorda para a vida. De verdade!
É a maior dádiva a almejar.
2012 Vasco de Sousa
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Não roubarei mais sonhos para ti
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Gosto muito de si
“Gosto muito de si… Caso a cegueira se generalize,
tranquilize na certeza que eu… eu,
jamais me esquecerei da sua riqueza! “
Vem cá brilhante estrela-d’alva,
Deixa que o teu amanhecer me ilumine.
Que um verso terno me mime,
E eu floresça rosa Malva.
Deixa-me banhar nos céus e nas marés,
Correr pelos sonhos azuis…
Ser como me vês e intuis,
E saber-te a mestra que És.
Doce fada que és minha madrinha,
E bafejas minha alma com condão,
Alivias a dor, acalmas-me o coração,
Mandas pra longe a tristeza minha!
Afinal és muito melhor poetiza que eu!
Dizes o mundo em poucas palavras!
Quem me dera ter essa sapiência:
Entender o que só almas puras entendem!
2012 Olinda Ribeiro
O peso do céu
O peso do céu. Sobre a minha cabeça.
Perdoa-me. É tudo o que eu quero.
Deixa entrar o cão que a chuva escorraça.
Deitado no chão frio, aqui espero.
Com saudade relembro a lareira quente,
Diz-me o vento que agora é tarde,
A autoestima abandonou a mente,
Exposto à mercê desta tempestade.
Agora à chuva tudo eu confesso.
Amaldiçoo aquilo eu que me tornei,
Tudo o que fiz e o que deixei de fazer.
Assim, contra mim escrevo. Estou possesso.
Despido de pudores, suplicar-te-ei:
Perdoa-me ! Eu farei por o merecer.
2012 Vasco de Sousa
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Não é saudade… É não esquecer…
Velejo, respiro, ao sabor da brisa,
Renascendo poesia em cada verso,
Sal, sol, urze, carinho disperso,
O gesto grato, e alguém ameniza.
Corpo e alma em camas de dor,
Fins-de-linha cansaço e sofrer,
Estendem sorriso para agradecer
Momentos ténues dados com amor.
Sinto-me parca, impotente, desleal,
Beijo de judas. A morte vem, eles vão,
Últimos carinhos… agradecem pelo fim…
Serenam, sorriem, partem… ponto final!
Perante tão belo quadro de Gratidão,
Silenciosa lágrima rola… choro por mim…
2009 Olinda Ribeiro
Porque sinto que todos continuam a velar por mim…
01 de Novembro de 2009
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Estou imóvel. Aqui parado.
Estou imóvel. Aqui parado.
Arrasto as palavras dentro de mim.
Lento… Neurónio não, neurónio sim.
A tua realidade não é a minha,
Falas comigo à tardinha…
Não sei o que te responder,
O que será que estás a dizer ?
Um sorriso rasgado.
Dás-me um carinho abençoado,
Derreto-me com ele… de bom grado.
Gostava de te poder sorrir…
A minha face parece não fletir,
Da minha boca solta-se um gemer,
Uma lágrima escorre sem querer.
Abraças-me. Estou deitado.
Amanhã virás novamente,
Com o teu ar bondoso e paciente,
E mesmo que eu não diga nada,
Tu sabes que muito me agrada,
Aqui, qual inconsciente, a divagar,
Receber o amor do teu olhar.
Quem és, já pouco importa,
Estarás amanhã à minha porta.
Obrigado.
2012 Vasco de Sousa
domingo, 29 de janeiro de 2012
Epopeia
Nasce a epopeia do Ser
A típica narração dos feitos
Moinhos e ventos contrafeitos
Minutas dos contos a desenvolver
Romantismo ou solo a dois
Novelas de horas soltas
Entreabrir leve de portas
Novas promessas nascem depois
Continuo acreditando na arte
Suplantando efémeras escaramuças
Parodiando mecânica e lazer
Despeço a saudade que parte
Não visto negro ou carapuças
Nasce uma nova epopeia - O Meu Ser!
2012 Olinda Ribeiro
domingo, 22 de janeiro de 2012
Avançar não é esquecer ou banir
Fundamental a flexibilidade
Instala-se e a nostalgia pacifica
Num ápice tudo se clarifica
Fundo ilusão e veracidade
Avançar não é esquecer ou banir
Tenho carinho pelas minhas vivências
Debalde as consequências
Refreio o impulso de não reflectir
Veredas e memórias clássicas
São labirintos muito apetecíveis
Épocas épicas e outras mudanças
Têm faunas e fórmulas básicas
Vestem-se de causas infalíveis
Mas pereno nas minhas esperanças.
2012 Olinda Ribeiro
E sei que amo com mais ardor
Encontrei o modo perfeito
De me entender sem constrangimento
Apelo ou simples entendimento
Tudo o que me desafina… rejeito!
E sei que conspiro a meu favor
Até os afectos são mais fogosos
E as mãos têm outro acarinhar
E as mãos sabem como acarinhar
Até os afectos são mais gozosos
E eis que conspiro a meu favor.
Dou livre arbítrio ao meu coração
Caminho comigo de mãos dadas
Juntas amamos noites e alvoradas
Mas não perco o fio nem a motivação!
E sei que conspiro a meu favor
Até os afectos são mais fogosos
E as mãos têm outro entrelaçar
E as mãos suavizam o entrelaçar
Até os afectos são mais gozosos
E eis que conspiro a meu favor
E sei que amo com mais ardor!
2012 Olinda Ribeiro
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Graciosa loucura que me dá vida
Podem pensar o contrário….
Mas, loucura não é doença!
É uma espécie de ilusão
Uma aparência… de perder a razão
Ou outra coisa qualquer….
Em mim, e a meus olhos…
É um atestado da minha autenticidade.
Há quem ache que é excentricísismo…
Eu só sei que sou Genuína…
Para quê esconder-me por trás de coisíssima alguma…?
Basta-me estar bem comigo mesma!
Sou Diferente? Somos todos diferentes!
Eu só me aceito incondicionalmente.
Acarinho-me e vejo a original oportunidade,
De me entregar ao meu percurso, deixando de lado,
Os formatos espíneos que me afastam da minha razão de ser.
Agora, é muito difícil trilhar o meu mapa interior…
Mas sei que é possível!... Melhor é imprescindível!
Lágrimas, mágoas, tentativas de desistência?
Absolutamente normal que me questione.
Naturalmente, interrogo-me,… analiso-me,… peço ajuda… Ajudo-me!
Sigo em frente! Estou a caminho…
Acuso-me… talvez por ser mulher…
Fico cheia de água na boca…
Adoro este Ser irremediavelmente louca…
(Não por amar… isso… é a meu sentir, coisa pouca)
Mas sim por não querer…
Dar ouvidos à postura
Que me arrasa e tortura…
É que tenho grande aflição,
Quando tento dar expressão
Ao “ ser “ muito compostinha,
Não tenho jeito … Nem é coisa minha!
Talvez por saber bem o que não quero,
Recuso dar-me ao desespero
De ser aquilo que não sou,
Raramente sei por onde ando ou vou…
Mas é isso que me diferencia,
Por viver no dia-a-dia
A minha íntegra constância
Não gosto da inconsonância
Nem de barulhos mentais!
Gosto sim de ser livre e harmoniosa
Ter melhor perfume que a rosa
Ser mais pura que os cristais
Mais alta que os pináculos das catedrais,
Ser e ter muito riso e pouco siso
Que a alegria é meu sustento.
Viajo nas asas do vento,
E tenho esta “ vida “ Visceral
De viver a meu contento!
Eis a razão de ser alma que perdura,
E ter na certeza da minha loucura,
A insana sustentabilidade.
Pois que na minha realidade,
A vida não é “ coisa ou causa “ apensa,
É sim razão e integridade!
Posta esta exposição,
Chamem vida à ilusão…
Mas afirmo: Loucura… Não É Doença!
2012 Olinda Ribeiro
As patologias mentais têm défices que merecem de todos nós mais respeito.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Estou à espera
Letárgico ao Sol, recebo o seu calor,
Como se dependesse da sua energia.
Do inverno, vou espantando o seu rigor,
Aqueço a alma. Dai-me mais alegria !
Esqueço por momentos toda a frustração,
Deste quotidiano dececionante.
O futuro hipotecou-se sem razão,
Intromete-se na paz da minha mente.
Este bem-estar é apenas presentâneo,
Depois do Sol, o frio que me depaupere,
Não pense ele que irei esmorecer.
Vou armazenando o calor instantâneo,
Na esperança que ele me revigore,
Pois tais desalentos, pretendo eu vencer.
2012 Vasco de Sousa