II
A Grécia d'Arte, a estranha claridade
D'aquela Grécia de beleza e graça,
Passa, cantando, vai cantando e passa
Dos teus olhos na eterna castidade.
Toda a serena e altiva heroicidade
Que foi dos gregos a imortal couraça,
Aquele encanto e resplendor de raça
Constelada de antiga majestade,
Da Atenas flórea toda o viço louro,
E as rosas e os mirtais e as pompas d'ouro,
Odisséias e deuses e galeras...
Na sonolência de uma lua aziaga,
Tudo em saudade nos teus olhos vaga,
Canta melancolias de outras eras!...
Cruz e Souza
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Olhos
Cabelos
I
Cabelos! Quantas sensações ao vê-los!
Cabelos negros, do esplendor sombrio,
Por onde corre o fluido vago e frio
Dos brumosos e longos pesadelos...
Sonhos, mistérios, ansiedades, zelos,
Tudo que lembra as convulsões de um rio
Passa na noite cálida, no estio
Da noite tropical dos teus cabelos.
Passa através dos teus cabelos quentes,
Pela chama dos beijos inclementes,
Das dolências fatais, da nostalgia...
Auréola negra, majestosa, ondeada,
Alma da treva, densa e perfumada,
Lânguida Noite da melancolia!
Cruz e Souza
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Castelos de sonhos
Contemplando o mar, sentado na praia,
Vou brincando distraído com a areia,
Erguendo lá bem alto, castelos de sonhos,
Que vão animando estes dias tristonhos.
As ondas lambem os seixos vagarosas,
Empurrando a espuma, majestosas.
Procuro uma razão, no azul profundo,
Que justifique eu estar neste mundo.
Olho para o horizonte sem nada ver,
As fantasias cobrem a realidade,
Tudo me parece bastante irreal.
Na crença de acordar ao entardecer,
Procuro na fé, a única verdade,
Quero apenas a paz espiritual.
2010 Vasco de Sousa
Os direitos da imagem pertencem ao seu autor.
A imagem foi retirada aqui.
sábado, 29 de maio de 2010
Saudade dos teus olhos verdes
Quando me sento a olhar o mar revolto,
Ainda vejo nele os teus olhos verdes,
A terna saudade desses tempos rebeldes,
Para os quais certamente não mais volto.
Quando as ondas lambem sedentas a praia,
Lembro comovido essa grande paixão,
Recordo as feridas no meu coração,
Lento, fecho os olhos como quem desmaia.
Viraste o meu mundo de pernas para o ar,
Fizeste-me viver todas as emoções,
E ao mesmo tempo aprendi a sofrer.
A ti, que já te coloquei no meu altar,
Dedico agora saudosas sensações,
Que não deixarão os teus olhos esquecer.
2010 Vasco de Sousa
sexta-feira, 28 de maio de 2010
És o brilho que floresce nos meus olhos
Tu és o brilho que nos meus olhos floresce,
A seiva que lenta corre nas minhas veias,
Alimentas esta grande paixão que cresce,
Turvas com as palavras, as minhas ideias.
Sem ti, a vida não faria sentido,
Pois compartilhas tudo aquilo que tenho,
Quando discutimos, sinto-me ferido,
Ando à toa, sem saber de onde venho.
Musa inspiradora dos meus sonhos,
Quando me dás força a cada momento,
Pelo nosso amor, não posso desistir.
A ti devo muitos momentos risonhos,
Quando estou em baixo, és o meu alento,
És tu a minha razão para existir.
2010 Vasco de Sousa
quinta-feira, 20 de maio de 2010
A viagem da vida
Depois de um dia de chuva miudinha,
Logo virá uma tarde ensolarada.
Assim como depois de tristeza minha,
Surgem as alegrias como de rajada.
Atrás de um mau dia, um bom surgirá,
Tal como uma noite se segue ao dia,
A seguir ao inverno, o verão virá !
O Universo em perfeita sintonia.
Algo maior comanda cada momento,
Enquanto nos guia sem nunca hesitar,
Durante esta nossa rápida viagem.
É pois a razão para manter alento,
A vida enfrentar com crescente coragem,
No infortúnio nunca desanimar.
2010 Vasco de Sousa
terça-feira, 18 de maio de 2010
Sou
Sou como uma pedra, no fundo do mar,
Imóvel, observo tudo o que me rodeia.
Sufocado, já nem consigo respirar,
Paciente espero por uma sereia.
Sou como uma folha que voa ao vento,
Que sem um rumo certo, se deixa levar,
Vagueio perdido no meu pensamento,
Ondulando lá vou, sem me preocupar.
Sou como uma árvore, agarrada à terra,
Lançando raízes ali onde nasceu,
Protegendo na sombra as suas sementes.
Sou como um pássaro que nunca aterra,
Que voa livremente por todo o céu,
Flutuando alegre por terras distantes.
2010 Vasco de Sousa
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Vozes Murmurantes
Quando os olhos fecho, o vazio eu sinto,
Quero afastar-me mas não sei para onde vou.
Eles invadem-me a mente ! Eu não minto !
Um grito estridente, que nunca passou.
Enlouqueço, com estas vozes murmurantes,
Que me algemam longe do mundo real.
Estremeço com os gritos arrepiantes,
Neste corpo que me parece irreal.
Quero fugir, mas já não sei de onde venho,
Dentro de mim, reina já um pavor profundo.
Quero retomar o controlo novamente !
Quero libertar toda a raiva que tenho,
Eu não estou louco ! – Grito a este mundo.
Na cela branca, não me fechem novamente !
2010 Vasco de Sousa
sábado, 7 de novembro de 2009
Névoa
O que escondes no brilho do teu olhar ?
Esse teu olhar sincero, transparente.
Que, por eu não o perceber claramente,
Dentro de meu mundo, me quis questionar.
Que esconde essa tua personagem ?
Revela-me esse teu grande segredo...
Sem qualquer receio e sem qualquer medo,
Serás tu um sonho ou uma miragem ?
Escrever sobre ti, não sei e não posso,
E parar, estranhamente não consigo,
Na minha alma ficou grande tormento.
Questionaste toda a minha existência,
Explicaste-me a palavra convivência.
Porque ficou preso o meu pensamento ?
1992 Vasco de Sousa
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Sentimento nobre e grandioso
Um sentimento nobre e tão importante,
Que por vezes se torna mesmo obsessivo.
Pode ser romântico, também prepotente,
Por vezes grandioso, ou corrosivo.
Falo daquilo que nos preenche a alma,
Que inunda todo e qualquer pensamento,
Um estado de graça, aparente calma,
Que se pode transformar logo em tormento.
Tão certo me encontro daquilo que sinto,
Como certo estou, de tudo o que sou,
Que a tal sentimento eu dou mais valor.
Doce sensação que no coração pressinto,
Que me realizou e mesmo elevou !
É com grande paixão que falo do amor.
2009 Vasco de Sousa