segunda-feira, 9 de abril de 2012

É só alinhar e pronto…


Olá estás aí? Não te consigo ver bem
Tenho que alinhar melhor esta coisa…
Estás um bocado desfocado…. nem me pareces tu…
Decididamente não pareces nada tu….
O que raio se passa com isto…
E eu que tenho tantas saudades tuas….
Apetece-me tanto dar-te um abraço….
Mas isto não me deixa ver-te bem….
Até a tua voz está destorcida…
Vá dá uma mãozinha… chega-te para aqui…
Mais aqui para o meio… só mais um bocadinho.
Perfeito! A imagem está perfeitamente nítida.
Agora vamos ver se te consigo ouvir bem…
Vá vai falando… ainda não…  nada…
Não desistas diz-me que ainda te lembras de mim…
Sim … já começo a ouvir melhor… sim também tens saudades…
Ouvi perfeitamente a tua voz, que bom ouvir a tua voz…
Mas tem um som um bocado metálico e assim distante…
Sabes as novas tecnologias até têm as suas vantagens …
Direi até que são muito úteis, mas são um bocado insípidas…
Sem calor, perfume, sorrisos, emoções,  carinho…
Mais uma das razões pelas quais prefiro guardar-te aqui,
Bem dentro do meu coração
Onde posso ver-te e ouvir-te sempre que quiser.
E também posso mimar-me com as memórias do tempo que passamos juntos.

2012 Lili (Olinda)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Fui Hipócrita?


Bem-aventurados os puros de coração.
Estou na reta final da Quaresma,
Prestes a chegar ao domingo de Páscoa,
Imponho a mim mesma esta pergunta
FUI HIPÓCRITA? TENHO COMPORTAMENTOS HIPÓCRITAS?
Pretendo ser fiel a mim mesma e sei, que se por um lado nada tem a ver      
Com a Cruz… com Cristo Redentor … com a Ressurreição … Religião!
Por outro lado tem exatamente a ver com tudo isto.
Também tem a ver com um certo mal-estar dentro de mim.
Há muitos anos que deixei as máscaras de lado,
Portanto se alguma coisa me incomoda o melhor
É resolver logo a questão. Direita ao assunto.
As minhas questões resolvo-as confrontando-me,
Então confronto-me, questiono-me e interrogo-me:
FUI HIPÓCRITA? TENHO COMPORTAMENTOS HIPÓCRITAS?
Sei que é a hipocrisia que me está a incomodar.
Estou em frente ao espelho, miro-me de alto a baixo…
Nada! Não é no exterior que tenho que procurar…
Conheço-me, e sei que só existe uma maneira de lidar com a situação,
Em total escuridão, no mais profundo silêncio, olho-me olhos-nos-olhos
E faço a pergunta:
FUI HIPÓCRITA? TENHO COMPORTAMENTOS HIPÓCRITAS?
Leva tempo até que a confusão interna se acalme…
Até que as desculpas cessem… e os pavores se calem…
E o terror mental me invada… e se sou Hip……
Os suores invadem-me, os calores proliferam,  a garganta seca…

Hei para onde é que vais com esse stress todo… 
Ouve primeiro o que tens a dizer…. Que condenação é essa…

A respiração está mais tranquila ... mais fluída ... já me oiço
o coração pulsa ritmado e com suavidade,  a tensão normalizou…
Estou pronta para começar….

2012 Olinda Ribeiro
Desejo-vos uma Santa Páscoa da Ressurreição para todos
PS: Estimada família, como sei que posso contar convosco, desta vez gostaria muito que se abstivessem de comentar este texto, partilho-o como premissa da semana que atravessamos e como introspeção, porém claro está que são livres de o fazerem  e são muito bem recebidos. Bem Hajam.

domingo, 1 de abril de 2012

Anónimos tristes e desesperados….

Conheces bem todos os sintomas
Desgostos, mágoas, tormentos, horrores,
Violências, perdas, mentiras, mortes,
Dores, e as moinhas, as moinhas…
São as mais difíceis… estão ali a moer,
A moer sempre a moer… segundo a segundo
Minuto a minuto… sem nada que amorteça a dor
Os segundos e os minutos transformam-se em horas
As horas em dias os dias em incontáveis dores
E já perdemos o fio à meada e caímos por terra,
A moinha acabou com a resistência …
Já estamos na demência…
Então deitamos mão ao que ainda nos resta…
inconscientemente/incomportavelmente
estranhamente a quem pensamos nos vai ignorar…
surpreendidos por obter resposta….
A voz silenciosa segreda como a tal moinha…
Lembra-te como era lá no tempo em que sabias sorrir…
Que o som do teu riso inundava de alegria tudo em redor…
Que apreciavas o canto dos pássaros e das cigarras…
Lembra-te de qualquer coisa por mais simples que seja
Mas que te fazia feliz! Lembra-te e prende-a na memória,
Agarra-a e aos poucos deixa que essas lembranças te inundem
E sente-as e revive-as e assim devagar… devagarinho...
Um pouco todos os dias…. Reaprendes a viver…
E fazes das fraquezas forças,
E fortaleces-te nas lágrimas derramadas
E quando te ergueres de novo
Dirás: Verguei com as mágoas dores e sofrimentos
Tormentos desgostos e tudo o mais que me caiu em cima….
Mas nada me derrotou! Olho bem para Mim!
Estou aqui! Nem derrotada! Nem vencida!
Estou aqui a viver um dia de cada vez …
Uma gargalhada, um canto de pássaro, o mar a sorrir,
Os campos floridos, o vento a cantar, eu a escrever,
Tu a sonhar, ele a rir, todos nós a ajudar…Somos um Só!
Somos todos uma força viva e apoiamo-nos mutuamente.
É muito importante acreditar e valorizar o momento.

2012 Olinda Ribeiro
Anónimos tristes e desesperados… ele há dias assim…

segunda-feira, 26 de março de 2012

Anjo Negro


Não quero escrever mais dores.
Nem palavras silenciosas.
Escusas de arrancar penas,
Das tuas asas de anjo negro,
Não as quero… para que as quero???
Para escrever penas com penas
Escrevo com as minhas penas…
Nem as tuas penas negras de anjo negro
São tão dolorosas nem negras
Quanto as minhas dolorosas penas,
Nem tão negras, quanto as minhas negras penas.
E esses teus gemidos são cantos alegóricos.
Tentas e sei que tentas imitar os meus silêncios,
Mas faltam-te as palavras silenciosas,
Estas mesmas palavras que me faltam,
Para descrever as minhas penas, dores, e silêncios.
Sei que tentas consolar-te com as minhas dores,
Por vezes até brilhas no silêncio negro das minhas penas,
Mas logo de seguida a auréola que emana de mim cega-te
E tu pobre anjo negro aninhas-te a meus pés e choras
No silêncio da noite desejando que chegue o dia
Para te aqueceres com um raio de sol
E sentires o calor da dor humana
Como um rio que te alimenta e por um instante
Te fazer sentir menos negro, menos silencioso…
Mais impotente… e decididamente menos anjo!!!

2012 Olinda Ribeiro
Não temas os anjos negros ou de outra cor qualquer sofrem como qualquer anjo…
E não tenho conhecimento que exista alguma lei discriminatória contra as penas das penas dos anjos…
E para que no nosso próximo encontro não estejas tão triste por teres que cumprir os teus desígnios …toma… leva uma das minhas penas… ficas com um ar mais poético!...

quarta-feira, 21 de março de 2012

É tarde. Que horas são ?


É tarde. Que horas são ?
Já nem sei… Longo vai o serão…
Olho para o écran cintilante,
O corpo dorido, dormente,
Será a chuva que cai lá fora ?
Olha-me esta agora…
Depois de tanto tempo esperar,
Até parece que estou a sonhar…
Então que chova, que chova a valer,
Porque é bom ouvir chover.

Lembras-te ?
Lembras-te das longas noites quentes ?
Em que o corrupio da goteira
Acompanhava o crepitar da lareira,
E nós, trocando beijos escaldantes…
Em cada gota de água pura e fria,
Ouço o teu riso contagiante,
Revejo o teu olhar brilhante,
Rejubilo com a tua alegria.

Lembras-te ?
Lembras-te do suave roçar dos lençóis,
Da luz intermitente das chamas,
De dizeres com carinho que me amas,
Por entre os teus revoltos caracóis ?
Por isso, em cada noite de chuva,
Enrosco-me no calor da tua imagem,
Sinto o teu perfume em qualquer aragem,
E sou feliz. Estou feliz. Então, que chova !

2012 Vasco de Sousa
Poesias felizes para todos.

Pomba branca


Pomba branca mágica pomba branca
sempre o símbolo da paz
sobrevoando sonhos e montanhas
e outros céus iluminados e estereotipados
a pomba poética e profética cai bem
nas frases feitas dos discursos
prontos para consumir por
povos sedentos de esperança,
mas uma criança com fome
quer pão, um copo de leite,
uma cama quente e colo de mãe,
essa é a sua pomba branca,
a sua paz, o seu símbolo, e a sua esperança.
Perguntava-me qual era minha contribuição
Para a paz de uma criança?
A pomba branca poisou no meu colo
Aninhou-se no meu peito
Deu-me um beijo e adormeceu.
E hoje ainda que só por hoje
Acreditei que o símbolo da paz
Era uma pomba branca voando
Pelos céus e pelas montanhas
E que os homens eram homens
E as crianças somente crianças
Sonhando com pombas brancas.

2012 Olinda Ribeiro
21 de Março dia mundial da poesia

segunda-feira, 19 de março de 2012

Pais Filhos e afins…


                        I                       

Somos jovens queremos curtir com os amigos
Sexta e sábado se forem todos dias melhor...
Os cotas às vezes são uns cortes… não entendem…
Mas quem é que vai pra casa às 3 da matina?!
Qual é a deles? Que mal é que tem?
Quatro cinco seis ou sete é igual… aliás é mais fixe!
Uns copos… uns fumos … as miúdas… curtir a bom curtir!
Na boa! Sem lições de moral! Sempre a bombar!
Amanhã logo se vê… há que aproveitar!
Isto é um instante… quando um gajo dá por isso…
Olha pá já é cota como eles! E já somos uns chatos do caraças!

                          II

Novamente prometes e não cumpres
E lá batem as horas e seguem mortiças dores
Suspiradas em rugidas sirenes que ao longe
Agoiram súplicas e oratórias pedindo protecção
Para esse amor que tarda em chegar.
E acendo uma vela e mais uma Ave-maria sra d´Agonia
Velai por ele e por todos nós, mães pais e avós,
Quem quer que seja que deles esteja a cuidar,
E eles nem sonham no seu entretinimento
O tamanho deste sofrimento,
Nem a lonjura que a sua loucura
Pode provocar a um coração
Que os ama com tamanha devoção
E só lhes pede um pouco de contenção.
Então quando o relógio bate mais um quarto de hora
Já a minha alma quase morta chora… como se a eternidade
Coubesse toda num segundo desta dor
Porque tu não sabes… mas eu… mesmo sem tu quereres
Estou aqui a amar-te, a torcer por ti, a desejar que sejas feliz,
Mas principalmente a esperar que te descubras
Descobrindo no grande amor que sinto por ti!

2012 Olinda Ribeiro
19 de Março dia do pai
Todos os dias são dias dos pais como das mães como dos filhos como da família,
Então vamos portarmo-nos como tal e num abraço gigante abracemo-nos… porque
O tempo passa num instante e quando dermos por isso já só podemos dizer: se fosse hoje
Fazia as coisas de maneira diferente.
PS: Sei que não sou o melhor exemplo por isso aqui fica o meu abraço gigante pois não quero
Arrependimentos! Já agora amo-vos muito a todos!...E para a família virtual aquele abraço…

quinta-feira, 15 de março de 2012

Carnaval & Entrudo

                                    I     

Há três dias era eu um barco a navegar na tua saudade
Uma lágrima desfeita em cristais salgados
As promessas de amor dos poetas consagrados
Era a farsa o louco o grito a vida a eternidade
Era tudo o que pode existir entre duas bocas beijando
Um gesto turvo o mar bravio contra a rocha sofrendo
As mãos delicadas torcendo gemidos calados bebendo
Os corpos nus transpirados sulcados sorrindo amando
A brisa focada na estrela vigia do instinto carnal
Eram tantas as coisas que te prendiam a mim
Que eu sufocava sem outra respiração que não fosse a tua
E agora … agora tu partes… pior … estás aí como o carnaval
Pendente de tudo o que faço esperando pelo fim
Festejando um entrudo no meu corpo de mulher nua!

                                   II

Finalmente chegou quarta-feira de cinzas… e eu não Morri!
Levantei-me ousada abri as portadas e também as janelas
O sol cegou-me desafiei-o  olhei-o de frente por entre as mãos belas
Numa carícia mordi o lábio decidi-me a escolher gargalhei e sorri
Não interessa os olhares de soslaio que me lanças  quero viver
Despi a camisa saltei para o banho de água fria gritei e Gritei
E de tanto gritar a água lavou-me a dor do peito e sei que curei
Curei esta dor qual agonia que insistia em derrubar o meu suster
Já é hora de ires embora e partires pra onde quiseres mas fico aqui
Tu não sabes… ou talvez saibas… mas o que te prendia a mim
Eram sabores e todas as cores vibrantes da minha alma nua
Eram os risos os sons como hinos de alegria que emanavam de ti
Eram as promessas e os cânticos e um amor que não tinha fim
Era eu amando-te toda inteira! Amar! Eras tu sabendo-me toda tua!

Vesti as jeans e uma sweatshirt e fui para a rua ….. e fui para a rua….. e fui para rua
A vida saudou-me …  eu respondi: Sou toda Tua! Sou Toda Tua!

2012 Olinda Ribeiro

sábado, 10 de março de 2012

Hoje quem faz o jantar sou eu!


-Vou-te contar uma história…
-Era uma vez…
-Porque será que tenho a sensação que me vais contar uma história…
-Não sei porque é que as mulheres valorizam tanto essa coisa dos carinhos, e dos beijos, e ficarem ali abraçadas depois do acto consumado… é um facto consumido… já foi!... Mas não…continuam ali… e querem adormecer e mais poesia… e um homem quer dormir ou levantar-se, tomar um duche … ver os resultados do futebol,… e outras coisas … e tem que ficar ali… há e depois ainda vem a tal da flor amarela tal-e-coisa que é tão bonita e singela e um gajo gastou uma pipa de massa num ramo de flores  … blá-blá-blá… e tanta flor no jardim… e o raio da flor amarela… a cabeça está tão azucrinada… que um homem cega… não pensa … não vê nada…
E … um homem pega no blusão… nas chaves do carro… ou da mota… o que tiver à mão ou não… e arranca… vai dar uma volta… demora-se um bocado… (um bocadão……passaram uns mesitos) e quando chega a casa as coisas estão mais calmas… muito mais calminhas…
-Querida!
-Querida…
-Ainda não chegou… vou tomar um duche… preparo-lhe o jantar e surpreendo-a… xii … o frigorifico está vazio… vou comprar qualquer coisa num instante… ou mando vir qualquer coisa… nã … é melhor ser eu a fazer… ela vai gostar mais… já agora deixa lá ver se arranjo as flores amarelas… sim sim as flores amarelas é que não podem faltar… e a música… aquela música que ouvimos e que é sempre tão importante para ela… porra  emprestei o CD…
calma… ok descarrego da net
...
...
-Então pá estás cá com um aspecto… estás doente?
-A minha mulher deixou-me…
-Lamento não sabia… pensei que estavam bem… quer dizer … vocês pareciam bem…
-Eu deixei-a… quer dizer… eu saí um bocado… foi por causa… da flor amarela… dos beijos, dos carinhos, de dormir abraçados,…. E as flores do jardim… o jardim sem as flores amarelas de que ela tanto gosta não tem graça nenhuma… e digo-te uma coisa fazer amor sem poesia não é amar! E as saudades! … o pior são as saudades… as saudades que tenho dela…
...
...
-Bom dia querido… estás com má cara… dormiste mal?
-Dormi, mas está tudo bem, a propósito os meninos hoje vão dormir em casa dos meus pais, e quem faz o jantar sou eu, e tu trata de vestir o teu sorriso mais bonito que as flores amarelas trago eu…..

Moral da história

Não sei se tem
Mas se queres beijos e abraços e carinhos é só pedires…

Esta história é dedicada a todos os casais que tendem a esquecer que ainda estão apaixonados, e que só valorizam o que não têm, esquecendo-se de valorizar o que têm, de mimar e acarinhar o/a parceiro e ver com olhos de ver a riqueza que é terem-se um ao outro!

E sim, a flor amarela é muito bonita, pessoalmente gosto muito dela… talvez porque cresce em qualquer lugar… despretensiosa… plena de vida…  esperando… que alguém olhe para ela e sorria… dando cor e alegria a quem nela repara.

Felicidades e boas poesias

2012 Olinda Ribeiro

sexta-feira, 9 de março de 2012

Liberdade

O poema é
A liberdade

Um poema não se programa
Porém a disciplina
— Sílaba por sílaba —
O acompanha

Sílaba por sílaba
O poema emerge
— Como se os deuses o dessem
O fazemos

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"